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Pedro da Silva Nava

05/06/190301/02/1984

Pedro Nava (1903-1984) foi um médico, escritor, poeta e memorialista brasileiro. Sua obra autobiográfica capta o espírito de sua época e traça um painel da cultura brasileira do século XX.
Pedro da Silva Nava (1903-1984) nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, no dia 5 de junho de 1903. Filho do médico cearense José Pedro da Silva Nava e da mineira Diva Mariana Jaguaribe Nava, estudou no Colégio Andrés, em Juiz de Fora. Em 1911, muda-se com a f amília para o Rio de Janeiro. No dia 30 de julho fica órfão de pai. Nesse mesmo ano, volta com a mãe e os irmãos para Juiz de Fora. Em 1913 muda-se para Belo Horizonte, onde ingressa no Ginásio Anglo- Brasileiro.
Em 1916, Pedro vai viver no Rio de Janeiro, na casa de seus tios Antônio e Alice Sales. Matricula-se no Curso de Humanidades do Colégio Pedro II, onde se forma em 1920. Em 1921, retorna para Belo Horizonte, onde ingressa no curso De Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.
Desde jovem, Pedro Nava já mostrava seu talento literário e também artístico como hábil desenhista. Seus primeiros poemas surgiram na década de 20, quando fazia parte do “Grupo do Estrela”, que era formado por jovens que estudavam em Belo Horizonte, como Carlos Drummond, Milton Campos, Cyro dos Anjos, entre outros, que introduziu o Modernismo em Minas Gerais. Primo de Rachel de Queiroz, durante a agitação modernista em Minas, conheceu Oswald de Andrade, Mario de Andrade e Tarsila do Amaral.
Pedro Nava trabalhou na Secretaria de Saúde e Assistência do Estado de Minas Gerais. Colaborou com “A Revista”, publicação do grupo modernista mineiro. Em 1928 ilustrou a obra Macunaíma de Mário de Andrade. Em 1928, depois de formado, passou a se dedicar quase que exclusivamente à profissão. Em 1933 muda-se para o Rio de Janeiro. Foi membro da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, foi livre docente na Universidade do Brasil, foi diretor do Hospital Carlos Chagas, membro do Conselho Editorial da Revista Médica Municipal, membro do Instituto Brasileiro de História da Medicina. Em 1943, casa-se com Antonieta Penido.
Em 1946, teve alguns poemas recolhidos por Manuel Bandeira e publicados na Antologia de Poetas Brasileiros Bissextos. Mas foi só com a publicação tardia de “Baú de Ossos” (1972) que Pedro Nava se uniu aos demais escritores. Esse seria o primeiro dos sete livros que formariam sua obra e recriaria o gênero literário de memórias no Brasil. Em “Baú de Ossos”, quando estava com quase 70 anos, com um toque de poesia, graça e ironia, Nava reconta a trajetória de sua numerosa família desde pelo menos a chegada ao país de um pioneiro vindo da Itália, e fala extensivamente de seus ramos mineiro e nordestino.
Seus sete volumes são sobretudo um vasto emaranhado de quse um século de riquíssima vida nacional. Cada volume subsequente contribuiu para projetá-lo ainda mais como importante memorialista. Em “Balão Cativo” (1973), que se desenrola em boa parte na então capital, Rio de Janeiro, o escritor se ocupa da infância e da trajetória escolar. Escreveu ainda: “Chão de Ferro” (1976), “Beira Mar” (1978), “Galo-das-Trevas” (1981), “O Círio Perfeito” (1983) e “Cera das Almas”, que deixou inacabado ao se suicidar com um tiro na cabeça após receber um telefonema misterioso. A obra foi publicada postumamente em 2006.
Pedro Nava faleceu no Rio de Janeiro, no dia 13 de maio de 1984.

Afiz Sadi

Afiz Sadi 1924-2010

Helio Begliomini

Afiz Sadi nasceu 15 de agosto em 1924. Era descendente de família libanesa e natural de Jardinópolis (SP). Filho de vendedor ambulante, mudou-se para Belo Horizonte onde se graduou pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. Lá conheceu Juscelino Kubistchek de Oliveira que, além de político era urologista e lhe forneceu inspiração para que seguisse a mesma especialidade. Após sua formatura, através de concurso, transferiu-se para a Escola Paulista de Medicina onde fez doutoramento e livre-docência em 1955. Sucedeu a Rodolpho de Freitas e foi o segundo professor de urologia da EPM, nela pontificando como titular por 30 anos (!) – (1964-1994) até sua aposentadoria compulsória, não deixando, contudo, de exercer a medicina em seu consultório. Igualmente, colaborou com outras instituições de ensino em seus albores. Foi professor titular de urologia na Faculdade de Medicina de Santos (1967-1974) e paraninfo de sua 1o turma, em 1972; professor titular de urologia na Faculdade de Medicina do ABC (1972-1976) e diretor dessa escola de 1973-1974. Na Escola Paulista de Medicina fundou a Residência Médica em 1962 e a PósGraduação em 1975. Presidiu a Comissão de Ética Médica e Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) – sede nacional (1976-1977). Contudo, sua influência e interação com seu pares tornaram-no também presidente do Departamento de Urologia da Associação Paulista de Medicina e presidente da seccional de São Paulo da SBU (1986-1987). Ingressou como membro titular da Academia de Medicina de São Paulo em 1956, escolhendo para patrono Rodolpho de Freitas, seu antecessor e primeiro professor de urologia da Escola Paulista de Medicina. Nesse sodalício permaneceu por 54 anos (!), galgando a condição de * Titular e emérito da cadeira no 21 da Academia de Medicina de São Paulo sob o patrono de Benedicto Augusto de Freitas Montenegro. membro emérito. Outrossim, teve o privilégio de ser membro honorário da Academia de Medicina de Minas Gerais e da Academia Nacional de Medicina. Desfrutou também a condição de membro emérito da Sociedade Brasileira de Urologia Afiz Sadi era dotado de grande cultura e notória habilidade em preparar discursos e panegíricos. Dedicou-se também à literatura, produzindo ensaios, trabalhos em historiografia e crônicas. Entretanto, sua sensibilidade e vivacidade tornaram-no, particularmente um notável poeta. Segue um espécimen de sua verve dentre inúmeros poemas que produziu, intitulado “Correr do Tempo”: Quanto mais o tempo passa / Sinto o passar dos anos. / Não sinto o passar do tempo / E com o tempo, os desenganos. / Quisera que nesta vida / O tempo jamais passasse / Quanto mais o tempo passa / A vida pára. Se o tempo parasse? / Será que a vida andaria?/ Será que fim não teria? / E ao tempo o que ofertaria? / Se tempo à vida daria? / Mas tempo e vida andam juntos / A vida luta com o tempo. / O tempo dá tempo à vida / E a vida é luta sem tempo. Afiz Sadi ingressou na Academia Cristã de Letras em 1982, tendo escolhido para seu patrono Gibran Kalil Gibran. Nesse cenáculo literário teve o privilégio de enobrecer seus pares de profissão, tornando-se, ao longo de 43 anos, um dentre os três presidentes médicos desse silogeu, exercendo seus dois mandatos (1988-1989 e 1990-1991) com galhardia e denodo. Com a honra de presidente emérito, foi o fundador da cadeira no 40 e titular durante 28 anos! Dentre suas 40 comendas recebidas, destacam-se: medalha da Marinha Brasileira e da Independência da República Árabe Síria; Gran Cruz de mérito nacional; menções honrosas em poesias da Câmara Municipal de São Paulo e medalha Anchieta da Assembleia Legislativa de São Paulo. Afiz Sadi tinha como hobby o estudo da tapeçaria persa e o preparo de alguns quitutes gastronômicos. Era dotado de memória prodigiosa e grande lucidez, mesmo em idade provecta. Colaborava com artigos desde 1983 na secção “Tendências” da Folha de S. Paulo e, ultimamente, no jornal da Associação Paulista de Imprensa. Foi autor de 10 livros de urologia e 12 livros de poesia e prosa. São de sua lavra dentre outras obras: Urologia Clínica e Cirúrgica (1965); Ritmos e Semitons (1970); Urgências em Urologia (1971); Poesias em Vários Tons (1971); Patologia Urogenital (2 volumes, 1975); O Tempo e a Vida (s/d); Ritmo e Poesia (1979) Prosa & Verso (1992); Hiperplasia da Próstata – Adenoma (1998); Academia Cristã de Letras – 38 Anos (2005) e Correr do Tempo (poesias, 2008). Afiz Sadi, contrariando o tempo que parecia ter parado de correr, faleceu em 30 de junho de 2010, aos 85 anos, deixando, além da esposa, Sra. Leila, três filhos – um deles, Marcos Vinícius Sadi, afamado urologista –, cinco netos, e um apreciável somatório de serviços prestados à urologia, à ciência, à intelectualidade e à literatura.

Ivolino Vasconcelos

Médico brasileiro e grande historiador da medicina. Ivolino de Vasconcelos se destacou como um dos maiores incentivadores ao estudo da história da medicina em nosso país, tendo fundado, em 1945, o Instituto Brasileiro de História da Medicina e a Federação Nacional de História da Medicina e Ciências Afins. Vasconcelos considerava o estudo da história da medicina como um instrumento vital para a formação ética e humanista do profissional da área médica através da celebração de seus grandes nomes e realizações. Lançou, em 1949, a Revista Brasileira de História da Medicina, publicação que visava estimular a produtividade e a realização de eventos científico-acadêmicos em história da medicina, além de registrar as atividades da Federação, bem como sua produção científica. Foi docente livre de Clínica Médica da Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil (RJ) e, mais tarde, catedrático de História da Medicina na mesma instituição. Pertenceu aos Institutos de História da Medicina de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Paraná, Pará, Maranhão e Rio Grande do Norte. O professor Ivolino de Vasconcelos também foi membro das Sociedades de História da Medicina da Argentina, Peru, México, Roma e Alemanha. Foi autor de mais de 200 artigos sobre medicina clínica, história da medicina e medicina social, em periódicos nacionais e estrangeiros. Em 1964, lançou uma coletânea de seus artigos publicados na Revista Brasileira de História da Medicina (1949-1964), sob o título Asclépio Historiador (editora Aurora, Rio de Janeiro). Escreveu a obra biográfica Francisco de Castro (1951), premiada pela Academia Brasileira de Letras. Foi o responsável pela realização dos três primeiros congressos brasileiros de história da medicina (1951, 1953 e 1958).

Tuoto, E. A. “Ivolino de Vasconcelos (Biografia).” In: Biografias Médicas by Dr Elvio A Tuoto (Internet). Brasil, 2006. Consulta em 01 de junho de 2016. Disponível em: BIOGRAFIAS MÉDICAS by Dr Elvio A Tuoto

[Autor deste artigo DR. ELVIO ARMANDO TUOTO]
http://acamerj.org/index.php?caminho=academico.php&id=385

Pedro Salomão José Kassab

17/05/193015/09/2009

Helio Begliomini1
Pedro Salomão José Kassab nasceu no dia 17 de maio de 1930. Era o mais novo
filho de uma família de nove irmãos, um dos quais não chegou a conhecer em virtude de
falecimento.
Na infância e adolescência (1938 a 1944) participou do grupo teatral amador
dirigido por Afonso F. Cúrcio e mantido na Igreja do Calvário dos padres sionistas.
Aos 17 anos foi um dos primeiros colocados no exame para ingresso na
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Seu liame com a
educação sempre permeou sua atividade médica. Logo após seu ingresso, lecionou no
curso preparatório para o vestibular do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz da FMUSP e,
durante dez anos, lecionou física no Curso Di Túlio. Ao término do curso de medicina
prestou serviços no CPOR – Centro de Preparação de Oficiais da Reserva e começou a
namorar sua futura esposa, a professora Yacy Palermo, com quem veio a se casar no
final de 1953, no mesmo ano em que obteve a conclusão do serviço militar e a
graduação em medicina.
Enquanto acadêmico participou de 1949 a 1951 das Ligas de Combate àTuberculose, à Sífilis e ao Câncer. Trabalhou na 3a Clínica Cirúrgica sob a chefia doilustre professor Benedicto Montenegro2, assim como na disciplina de técnica cirúrgica
e cirurgia experimental chefiada pelo professor Eurico da Silva Bastos3. Colaborou também como voluntário durante cerca de um ano e meio na Enfermaria de Cirurgia da
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; e de 1952 a 1953 com o dr. Américo Rufino
na Associação Paulista de Combate ao Câncer.
Enquanto fazia residência médica, continuava dando aulas.
Pedro Kassab e Yacy Palermo tiveram sete filhos: Pedro, Sérgio, Márcia,
Renato, Gilberto4, Marcos e Cláudio; e 10 netos: Pedro, Cláudia, Fernando, Ana Paula,
Ana Laura, Victoria, Lucas, Luiz Victor, Marcos e Vivian. Seus filhos estudaram em
instituições famosas da capital como o Liceu e a Universidade de São Paulo. Gostava de
dizer que sua família era “unida, simples, discreta e 100% paulistana”.
No início de 1957, aos 26 anos, foi convidado pelo ilustre professor Antônio de
Almeida Prado5 para assumir a direção geral do Liceu Pasteur, sucessor do Liceu
Franco-Brasileiro de São Paulo. Dirigiu essa instituição por mais de 50 anos, até o final
de sua vida, e nela imprimindo um paradigma de estabelecimento de ensino. Pelo seu
trabalho à frente dessa escola recebeu diversas homenagens da França, inclusive a
Legião de Honra.
Com relação à educação assim se expressava: “A educação tudo permeia. É base
para a evolução e o desenvolvimento individual, familiar, das comunidades e das
nações. A formação de pessoas conscientes, competentes, hábeis e dedicadas,
responsáveis por seus atos é essencial não só para a evolução das ciências,
possibilitando novas descobertas e intervenções, mas também para sua multiplicação,
ensino e divulgação. Quanto mais educadas as pessoas, haverá melhor aprendizagem,
mais preparação para o trabalho, mais saúde, menos desvios de conduta, mais cultura
e melhor convívio social”.
Pedro Kassab era um leitor voraz, dono de prodigiosa memória e meticuloso no
uso do vernáculo. Trabalhou também como responsável pela secção de biologia e
medicina do jornal A Folha de S. Paulo (1956-1959). Foi professor de Estudos
Brasileiros nos primeiros anos de implantação do Curso de Pós-Graduação em
Administração Hospitalar e de Saúde, mantido pela Fundação Getúlio Vargas e pelo
Hospital das Clínicas da FMUSP, sendo escolhido paraninfo da primeira turma e
homenageado pelas seguintes (1974-1978).
Ainda sobre a educação assim se expressou: “A formação e a preservação do
caráter merecem ações na infância, na juventude e sempre. Sua essência vincula-se à
verdade no pensar, no dizer e no fazer”.
Pedro Kassab foi secretário-geral (1963-1969) e presidente (1969-1981) da
Associação Médica Brasileira (AMB) por seis mandatos consecutivos! Durante a sua
segunda gestão, em maio de 1973, foi adquirida a atual sede da entidade. Em 1976 foi
eleito presidente da Associação Médica Mundial e, em seguida, eleito presidente do
Conselho de Ética Médica.
Foi membro das seguintes entidades: Conselho Deliberativo da Casa da Cultura
Francesa – Aliança Francesa de São Paulo, chegando a vice-presidente; Ordem dos
Velhos Jornalistas de São Paulo; Academia de Medicina de São Paulo (honorário);
Associação Paulista de Fundações; Conselho Estadual de Educação (desde 2003, sendo
eleito presidente para o biênio 2006-2007); Fundação Educacional Inaciana Padre também como voluntário durante cerca de um ano e meio na Enfermaria de Cirurgia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; e de 1952 a 1953 com o dr. Américo Rufino na Associação Paulista de Combate ao Câncer.
Enquanto fazia residência médica, continuava dando aulas.
Pedro Kassab e Yacy Palermo tiveram sete filhos: Pedro, Sérgio, Márcia,
Renato, Gilberto4, Marcos e Cláudio; e 10 netos: Pedro, Cláudia, Fernando, Ana Paula,
Ana Laura, Victoria, Lucas, Luiz Victor, Marcos e Vivian. Seus filhos estudaram em
instituições famosas da capital como o Liceu e a Universidade de São Paulo. Gostava de
dizer que sua família era “unida, simples, discreta e 100% paulistana”.
No início de 1957, aos 26 anos, foi convidado pelo ilustre professor Antônio de
Almeida Prado5 para assumir a direção geral do Liceu Pasteur, sucessor do Liceu
Franco-Brasileiro de São Paulo. Dirigiu essa instituição por mais de 50 anos, até o final
de sua vida, e nela imprimindo um paradigma de estabelecimento de ensino. Pelo seu
trabalho à frente dessa escola recebeu diversas homenagens da França, inclusive a
Legião de Honra.
Com relação à educação assim se expressava: “A educação tudo permeia. É base
para a evolução e o desenvolvimento individual, familiar, das comunidades e das
nações. A formação de pessoas conscientes, competentes, hábeis e dedicadas,
responsáveis por seus atos é essencial não só para a evolução das ciências,
possibilitando novas descobertas e intervenções, mas também para sua multiplicação,
ensino e divulgação. Quanto mais educadas as pessoas, haverá melhor aprendizagem,
mais preparação para o trabalho, mais saúde, menos desvios de conduta, mais cultura
e melhor convívio social”.
Pedro Kassab era um leitor voraz, dono de prodigiosa memória e meticuloso no
uso do vernáculo. Trabalhou também como responsável pela secção de biologia e
medicina do jornal A Folha de S. Paulo (1956-1959). Foi professor de Estudos
Brasileiros nos primeiros anos de implantação do Curso de Pós-Graduação em
Administração Hospitalar e de Saúde, mantido pela Fundação Getúlio Vargas e pelo
Hospital das Clínicas da FMUSP, sendo escolhido paraninfo da primeira turma e
homenageado pelas seguintes (1974-1978).
Ainda sobre a educação assim se expressou: “A formação e a preservação do
caráter merecem ações na infância, na juventude e sempre. Sua essência vincula-se à
verdade no pensar, no dizer e no fazer”.
Pedro Kassab foi secretário-geral (1963-1969) e presidente (1969-1981) da
Associação Médica Brasileira (AMB) por seis mandatos consecutivos! Durante a sua
segunda gestão, em maio de 1973, foi adquirida a atual sede da entidade. Em 1976 foi
eleito presidente da Associação Médica Mundial e, em seguida, eleito presidente do
Conselho de Ética Médica.
Foi membro das seguintes entidades: Conselho Deliberativo da Casa da Cultura
Francesa – Aliança Francesa de São Paulo, chegando a vice-presidente; Ordem dos
Velhos Jornalistas de São Paulo; Academia de Medicina de São Paulo (honorário);
Associação Paulista de Fundações; Conselho Estadual de Educação (desde 2003, sendo
eleito presidente para o biênio 2006-2007); Fundação Educacional Inaciana Padre também como voluntário durante cerca de um ano e meio na Enfermaria de Cirurgia da
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo; e de 1952 a 1953 com o dr. Américo Rufino
na Associação Paulista de Combate ao Câncer.
Enquanto fazia residência médica, continuava dando aulas.
Pedro Kassab e Yacy Palermo tiveram sete filhos: Pedro, Sérgio, Márcia,
Renato, Gilberto4, Marcos e Cláudio; e 10 netos: Pedro, Cláudia, Fernando, Ana Paula,
Ana Laura, Victoria, Lucas, Luiz Victor, Marcos e Vivian. Seus filhos estudaram em
instituições famosas da capital como o Liceu e a Universidade de São Paulo. Gostava de
dizer que sua família era “unida, simples, discreta e 100% paulistana”.
No início de 1957, aos 26 anos, foi convidado pelo ilustre professor Antônio de
Almeida Prado5 para assumir a direção geral do Liceu Pasteur, sucessor do Liceu
Franco-Brasileiro de São Paulo. Dirigiu essa instituição por mais de 50 anos, até o final
de sua vida, e nela imprimindo um paradigma de estabelecimento de ensino. Pelo seu
trabalho à frente dessa escola recebeu diversas homenagens da França, inclusive a
Legião de Honra.
Com relação à educação assim se expressava: “A educação tudo permeia. É base
para a evolução e o desenvolvimento individual, familiar, das comunidades e das
nações. A formação de pessoas conscientes, competentes, hábeis e dedicadas,
responsáveis por seus atos é essencial não só para a evolução das ciências,
possibilitando novas descobertas e intervenções, mas também para sua multiplicação,
ensino e divulgação. Quanto mais educadas as pessoas, haverá melhor aprendizagem,
mais preparação para o trabalho, mais saúde, menos desvios de conduta, mais cultura
e melhor convívio social”.
Pedro Kassab era um leitor voraz, dono de prodigiosa memória e meticuloso no
uso do vernáculo. Trabalhou também como responsável pela secção de biologia e
medicina do jornal A Folha de S. Paulo (1956-1959). Foi professor de Estudos
Brasileiros nos primeiros anos de implantação do Curso de Pós-Graduação em
Administração Hospitalar e de Saúde, mantido pela Fundação Getúlio Vargas e pelo
Hospital das Clínicas da FMUSP, sendo escolhido paraninfo da primeira turma e
homenageado pelas seguintes (1974-1978).
Ainda sobre a educação assim se expressou: “A formação e a preservação do
caráter merecem ações na infância, na juventude e sempre. Sua essência vincula-se à
verdade no pensar, no dizer e no fazer”.
Pedro Kassab foi secretário-geral (1963-1969) e presidente (1969-1981) da
Associação Médica Brasileira (AMB) por seis mandatos consecutivos! Durante a sua
segunda gestão, em maio de 1973, foi adquirida a atual sede da entidade. Em 1976 foi
eleito presidente da Associação Médica Mundial e, em seguida, eleito presidente do
Conselho de Ética Médica.
Foi membro das seguintes entidades: Conselho Deliberativo da Casa da Cultura
Francesa – Aliança Francesa de São Paulo, chegando a vice-presidente; Ordem dos
Velhos Jornalistas de São Paulo; Academia de Medicina de São Paulo (honorário);
Associação Paulista de Fundações; Conselho Estadual de Educação (desde 2003, sendo
eleito presidente para o biênio 2006-2007); Fundação Educacional Inaciana Padre Sabóia de Medeiros, mantenedora do Centro Universitário da FEI – Faculdade de Engenharia Industrial (diretor e vice-presidente); Conselho Federal de Medicina (1969-1974); Conselho Nacional de Saúde (1974-1978); Conselho dos Curadores da Fundação Antônio Prudente (desde 1974); Conselho de Economia, Sociologia e Política da
Federação do Comércio do Estado de São Paulo (1978); Conselho de Ética de
Autorregulamentação Publicitária – Conar, desde seu início em 1980 e, recebendo no
25o aniversário dessa instituição, o título de sócio honorário; Conselho Curador da
Fundação Antônio Prudente, mantenedora do Hospital do Câncer A. C. Camargo;
Conselho Consultivo do CIEE – Centro de Integração Empresa-Escola (honorário); e
Academia Paulista de Educação, ingressando em 20/4/2004, na cadeira no
35 sob o patrono de Newton de Almeida Mello. Em 2009 foi eleito membro da cadeira no
25 da Academia Paulista de Letras, na vaga deixada pelo geneticista Crodowaldo Pavan,
falecendo, contudo, pouco antes de sua posse solene.
No dizer de Ives Gandra da Silva Martins, renomado advogado e jurista
brasileiro, Pedro Kassab “era uma pessoa cordata, serena, precisa na busca das soluções;
sem julgamentos precipitados sobre o caráter das pessoas e os acontecimentos em geral,
mas profundamente leal aos compromissos assumidos e às pessoas com quem mantinha
relações de cordialidade e apreço”.
Dentre as homenagens recebidas salientam-se a Ordem Nacional do Mérito
França e Brasil e a medalha do Mérito Acadêmico conferida pela Escola Paulista de
Magistratura, além de honrarias de governos estaduais e municipais.
Pedro Kassab tinha o hábito de acordar bem cedo e sua casa, localizada próximo
à Praça Pan-Americana, era alegre, movimentada, repleta de árvores e animais
domésticos (cães, gatos e pássaros). A família unida frequentava o Clube Pinheiros e,
nas férias, a preferência era a cidade de Santos.
Dizia que “as famílias são, certamente, os pilares da convivência harmoniosa e
da paz. Com idêntica convicção e partindo de fundamentos análogos aos da família,
somos levados a reafirmar a precedência axiomática da educação, no conjunto das
ações humanas. Essa verdade prescinde de demonstração. A educação é, de fato, a
coluna mestra da vida.”
Gostava de ficar em casa nos finais de semana com a família, quando mais de 20
participantes se reuniam no almoço de domingo. Esmerava-se em ajudar sua esposa a
preparar os aperitivos e a mesa, além de contar histórias que atraíam a atenção dos
presentes. Também aos domingos, às vezes trabalhava um pouco; recebia e visitava
amigos ou jogava xadrez com os filhos. Tinha como passatempo fazer palavras
cruzadas, assistir a um filme de faroeste ou jogo de futebol ou, ultimamente, se entreter
com o quebra-cabeça sudoku. Torcia para o São Paulo Futebol Clube e dizia: “Todos
aqui em casa têm São Paulo nas veias e nas artérias”.
Seu filho, Gilberto Kassab, dizia que “ele gostava da família, não apenas da
nossa família, mas da família como instituição, de todas as famílias”; que “ele
acreditava em Deus, ainda que achasse que a fé na existência de Deus não poderia ser
explicada por métodos científicos”; e que “ao longo de toda sua vida, destacou-se pela
atenção que dispensava às pessoas. Ele era justo, amoroso… uma dezena de adjetivos
não seriam suficientes para descrevê-lo”.
Pedro Salomão José Kassab faleceu na cidade de São Paulo, aos 79 anos, no dia
15 de setembro de 2009, enquanto se recuperava de uma cirurgia cardíaca realizada uma
semana antes.

Ângelo Barbosa Machado Monteiro

Ângelo Barbosa Monteiro Machado (Belo Horizonte, 22 de maio de 1934) é médico, professor, entomológo e escritor brasileiro.
Como médico criou o Laboratório de Neurobiologiado Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais e conjuntamente com sua esposa Conceição Ribeiro da Silva Machado (Passagem de Mariana, 16 de setembro de 1936— Belo Horizonte, 23 de agosto de 2007) foi responsável também pela criação do Centro de Microscopia Eletrônica do mesmo instituto.
Como entomologista descreveu cerca de 100 espécies de libélulas. Como homenagem de outros pesquisadores, seu nome foi incorporado a 55 organismos, entre libélulas, borboletas, abelhas, besouros, aranhas e até um fungo. Em 2016 a revista científica Zootaxa dedicou-lhe um número especial comemorativo de seus 80 anos.
Biografia
Ângelo Machado graduou-se em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais em 1958, porém nunca exerceu a profissão, dedicando-se ao ensino e à pesquisa na área de neurobiologia. Em 1963, ainda na UFMG, obteve o título de doutor em Medicina e no período de 1965 a 1967 fez pós-doutorado na Northwestern University, Chicago, EUA.
De volta à UFMG, trabalhou durante muitos anos pesquisando a glândula pineal e o sistema nervoso autônomo, área na qual fez uma de suas descobertas mais relevantes: a formação das vesículas sinápticas de noradrenalina, a partir do retículo endoplasmático liso, nos terminais axônicos.
Também escreveu um livro didático bastante utilizado no ensino de graduação de Medicina, “Neuroanatomia funcional”.
Aposentou-se em 1987 como professor titular de Neuroanatomia e submeteu-se a novo concurso para docência, tornando-se professor adjunto de Entomologia. Assim, seu passatempo, o estudo de insetos, tornou-se profissão, o que o levou a iniciar um novo hobby: escrever livros para crianças nos quais a temática era a biologia. Essa atividade que lhe rendeu um Prêmio Jabuti em 1993 na categoria de Literatura Infantil. Eventualmente escreveu livros para adolescentes e adultos, como Os fugitivos da esquadra de Cabral (em 2000) e Manual de sobrevivência em festas e recepções com bufê escasso (1998).
Em 2015 doou sua coleção pessoal de 35 mil libélulas catalogadas para a UFMG.
Condecoracoes
No dia 12 de maio de 2015 recebeu o prêmio Bom Exemplo, que destaca a personalidade do ano em Minas Gerais.
Obras Literárias
Ângelo Machado tem uma vasta produção literária em que predominam os livros escritos para os públicos infantil e juvenil.

Literatura Cientifica
Neuroanatomia Funcional

Literatura infanto juvenil
A barba do velho da barba
O boto e seus amigos
O casamento da ararinha-azul: uma história de amor
Chapéuzinho Vermelho e o lobo-guará
O dilema do bicho-pau[8]
Douradinho, douradão, rio abaixo, rio acima
O esquilo esquecido
Estraladabão-tão-tão, o trovão
A festa de aniversário da Aline
Os fugitivos da esquadra de Cabral
Gente tem, bicho também: dente
Gente tem, bicho também: língua
Gente tem, bicho também: garganta
Gente tem, bicho também: nariz
Gente tem, bicho também: olho
O livro do pé
Manual de sobrevivência em festas e recepções com bufê escasso
O menino e a rã
O menino e o rio
A outra perna do Saci
O ovo azul
Que bicho fez o buraco?
Que bicho será que a cobra comeu?
Que bicho será que botou o ovo?
Que bicho será que fez a coisa?
O rei careca
Será mesmo que é bicho?
O tesouro do rei
O tesouro do quilombo
O velho da montanha: uma aventura amazônica
A viagem de Tamar, a tartaruga verde do mar
O vô e o vento
A mula com cabeça

Atualmente é Professor Emérito pela UFMG, exercendo atividades no Departamento de Zoologia nas áreas de taxonomia de libélulas e espécies ameaçadas de extinção. Como ambientalista, tem participado dos principais movimentos para a conservação da natureza no Brasil, sendo fundador e Presidente do Conselho Curador da Fundação Biodiversitas. Foi presidente da Comissão de Meio Ambiente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Recebeu, em 2017, o título de Pesquisador Emérito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do qual foi membro do Conselho Deliberativo, do Comitê Assessor de Biologia, Genética e Morfologia e do Comitê Editorial. No mesmo ano, recebeu, do Conselho Federal de Biologia, o título de biólogo honorário. É membro das Academias Brasileira de Ciências, Mineira de Medicina e Mineira de Letras.

João Amílcar Salgado

João Amílcar Salgado (Nepomuceno, 21 de março de 1937) é um médico, escritor, filósofo, historiador da medicina brasileira e genealogista brasileiro.

Biografia
Nascido em Nepomuceno, de inteligência brilhante e audácia destemperada, após fazer os estudos básicos, formou-se em medicina, na hoje denominada Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, onde sempre exerceu o magistério, chegando a ser o titular da cadeira de Clínica Médica.

Preocupado em preservar a história da medicina em Minas e no Brasil, idealizou e criou o Centro de Memória da Medicina de Minas Gerais, estruturando-o para que não fosse um museu com coisas velhas, mas local dinâmico, que produzisse conhecimento, objetivo que sem duvida, foi cumprido. O Centro de Memória foi inaugurado por Pedro Nava, grande memorialista do idioma nacional, quando completava então 25 anos de sua formatura na Faculdade de Medicina, na mesma turma de Juscelino Kubitschek. Considerado como o metro quadrado mais valioso da Faculdade de Medicina da UFMG, o Centro de Memória (CEMEMOR) nada mais é do que uma caixa de ressonância onde sao divulgados os fatos que a historia oficial encobre ou enterra nas tumbas do esquecimento.

João Amílcar é considerado, ao lado de Carlos da Silva Lacaz e de Licurgo de Castro Santos Filho, um dos maiores especialistas em história médica brasileira alem de, ser um dos maiores prosadores e narrador de causos ainda vivo. Mais do que um divulgador do conhecimento ele é um notável iconoclasta do senso comum que derruba mitos e expõe, sob a luz indecente da verdade, a realidade nua dos fatos que o tempo teima por querer encobrir. João Amilcar Salgado acanha os tradicionalistas, enraivece os puristas, cutuca os fundamentalistas, escandaliza os moralistas e deprime os ignorantes.

Fonte: Wikipedia

Raphael de Paula Souza

Raphael de Paula Souza

José Rozemberg
Bol. Pneumol. Sanit. v.7 n.1 Rio de Janeiro jun. 1999

Em 2 de junho último, aos 97 anos de idade, extinguiu-se a preciosa vida de Raphael de Paula Souza. Na história da luta antituberculosa no País, ele foi sem dúvida uma das maiores expressões pela sua aguda visão de enfrentar a tuberculose de forma global, desenvolvendo um hercúleo trabalho de âmbito nacional com o precário armamento então disponível na época anterior à moderna quimioterapia: Acrescente-se o entrave de seu alto custo porque o alicerce do projeto era um elevado número de leitos para o isolamento e o prolongado tratamento dos pacientes. Uma idéia da dramaticidade da epidemia tuberculosa na fase em que Paula Souza dirigiu sua luta é fornecida pelo fato que na década dos anos 40, a mortalidade tuberculosa era de 150 a 500 por 100.000 habitantes na maioria das capitais brasileira.

A decisão de Raphael de Paula Souza, de se especializar em Tuberculose, decorreu da circunstância de ter sido acometido pela doença durante sua formação universitária no Rio de Janeiro. Transferiu-se para a Faculdade de Medicina de Belo Horizonte, cidade que com clima ameno era considerada propícia para o seu tratamento. Convivendo com colegas doentes e influenciado por professores que também sofreram do mesmo mal, optou por empenhar-se na luta contra a Tuberculose, abandonando a idéia inicial de se dedicar à ciência pura. Essa decisão tornou-se mais imperiosa, ao chegar a Campos do Jordão, estância climatérica com a mística do ar da montanha. Ao lado dos tuberculosos ricos ou remediados nos sanatórios, legiões de doentes indigentes ali aportavam, muitos deles “despachados” de suas cidades, pelas autoridades municipais ou pelos delegados de polícia, com apenas a passagem no bolso.

Chegavam com formas extensas caseosas desbarrancando os pulmões e vastas adenomegalias mediastinais e abdominais, caquéticos em fase terminal; permaneciam estendidos no chão da estação ferroviária e ali morriam: o número de leitos era precário. Vivendo esse quadro dantesco, mais lhe amadureceu a necessidade de uma política sanitária de âmbito nacional, para pelo menos minorar essa situação. Atuando e clinicando na estância foi convidado a dirigir o então importante Sanatório de São Paulo. Resolveu primeiro aprimorar-se em Paris onde freqüentou o Curso de Aperfeiçoamento em Tuberculose do renomado Prof. Leon Bernard. Assim aprofundou sua formação tisiológica e assimilou a importância social, sanitária e toda a complexa problemática do enfrentamento da tuberculose. Espírito inquieto, interessado nos diversos ramos da atividade humana, impregnou-se com a universalidade da cultura francesa, a qual tanto influenciou sua personalidade. Retornando a Campos do Jordão assumiu a direção do Sanatório São Paulo, pondo em prática seus conhecimentos técnico-administrativos, consolidando sua verdadeira vocação. Essa fase lhe foi proveitosa ainda pelo aspecto da solidariedade humana, pois como sempre relembrava, aprendeu, como os demais tisiólogos, a se integrar com a vida dos pacientes, compartilhando de seus dramas e sofrimentos, pela estreita convivência durante o longo tempo de tratamento. Em decorrência concretizou um dos seus projetos que era da ereção de um conjunto de hospitais de construção modesta de baixo custo para atender a grande demanda de doentes indigentes. Assim presidiu a Associação de Sanatórios Populares, conhecida como “Sanatorinhos”. Formou grande equipe de colaboradores, desenvolvendo notável trabalho médico – assistencial.

Pertencente a tradicional família paulista, retornou a São Paulo em 1933. Além da clínica privada atuou nos serviços do então Instituto de Higiene, fundado pelo seu primo Geraldo de Paula Souza o qual muito contribuiu para o desenvolvimento de saúde pública de São Paulo. Transformando o Instituto, na Faculdade de Higiene e Saúde Pública da Universidade de São Paulo, foi nomeado catedrático de tisiologia e por duas vezes foi diretor da Faculdade. Direcionou o ensino da tuberculose sempre conectando a clínica com a epidemiologia e as medidas de controle da doença. Fez notória escola, tornando seus assistentes, nomes conhecidos na tisiologia. Plantou marcantes diretrizes que repercutiram no ensino da tuberculose naquela faculdade, tornando a cátedra um atrativo para os notáveis professores que o sucederam.

Em 1945, Paula Souza abandonou sua rendosa clínica e as funções universitárias atendendo ao convite do Ministério da Saúde para dirigir o Serviço Nacional de Tuberculose no Rio de Janeiro. Convicto que poderia afinal expandir seu pendor de sanitarista, aceitou o cargo, solicitando e obtendo autonomia de ação com verbas específicas para o seu projeto de instituição de uma campanha de âmbito nacional contra a tuberculose. Com sua larga visão dirigiu e orientou a implementação da referida campanha. Fato significativo foi que por primeira vez o combate à tuberculose passou a contar com recursos substanciais com total liberdade de sua aplicação. O projeto objetivava um conjunto integrado de medidas de profilaxia e assistência, de ensino e ação social alcançando todo o país com maior ênfase nas áreas de maior incidência da tuberculose. Projeto custoso porque alicerçado na construção de apreciável rede hospitalar para suprir aflitiva carência de leitos.

Ajustadas as linhas básicas do trabalho institui-se oficialmente em 1946 a Campanha Nacional Contra a Tuberculose (CNCT), tornando-se seu primeiro superintendente. Os hospitais da campanha eram de construção econômica e baixo custo de manutenção. Multiplicaram-se os dispensários que progressivamente passaram a se integrar nos centros de saúde. A abreugrafia de massa constituiu a base para a descoberta precoce dos casos de tuberculose. Em suma, foram postos em ação todos os procedimentos então disponíveis para o controle da doença. Atenção paralela foi dada à formação de recursos humanos, com a multiplicação de cursos, estágios e bolsas oferecidas aos Estados. Formaram-se médicos, enfermeiros, visitadores sanitários, bacteriologistas, radiologistas e outros técnicos, com ênfase no aspecto médico-sanitário da tuberculose, no seu caráter acentuadamente social, atingindo prioritariamente a população mais carente. Ampliou-se assim, substancialmente a área do ensino que já vinha sendo promovida por centros oficiais e privados e pelas cátedras de tisiologia nas escolas médicas criadas em 1946 por lei federal. Criou-se o Dispensário Escola sediado à rua do Resende no Rio de Janeiro para servir de campo prático dos cursos da Campanha. Neste, militaram eminentes tisiólogos, entre eles Manoel de Abreu, que ali instalou o famoso serviço de abreugrafia. A CNCT firmou convênios com governos estaduais e municipais, com institutos médico-científicos, cátedras de tisiologia e com organismos como a Sociedade Brasileira de Sociedades de Tuberculose que englobava as Ligas de Tuberculose. Todas essas medidas foram fundamentais para implementação da Campanha e a normatização de técnicas e procedimentos no combate à tuberculose. A Campanha contou com a cooperação direta de apreciável contigente de destacados tisiólogos. Um parêntesis para citar que a esposa de Paula Souza foi sua dedicada colaboradora criando a Ala Feminina Auxiliar de Luta Contra a Tuberculose, com atuação social nos hospitais e junto aos doentes em geral.

Na história da luta contra a tuberculose no Brasil, a CNCT representou marco saliente pela sua abrangência, mobilizando todas as forças disponíveis, em fase ingrata pelos recursos profiláticos precários, e por ter conseguido, fenômeno incomum, o apoio integral dos tisiólogos, que eram numerosos, e de muitos sanitaristas, todos integrados na verdadeira cruzada contra a tuberculose.

Deixando, em 1951 a direção do Serviço Nacional de Tuberculose e a superintendência da CNCT, Paula Souza reassumiu a cátedra na Faculdade de Saúde Pública e ocupou vários cargos oficiais, entre eles a Divisão dos Serviços de Tuberculose da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo.

Paula Souza envolveu-se em duas polêmicas científicas. Uma foi com os defensores do clima como fator de cura da tuberculose; ressaltando que os doentes podiam ser tratados inclusive nos centros urbanos, negando qualquer importância do clima, a diretriz para a construção dos hospitais pela Campanha foi somente de atender as áreas de maior incidência da doença. A outra polêmica foi sobre o BCG, portanto diretamente com Arlindo de Assis e por extensão com os integrantes da então chamada escola brasileira de BCG. Questionava o valor profilático do BCG e ainda mais o método oral, apontando falhas na conservação da vacina. Com o ocorrer dos anos estabeleceu-se que os principais pontos de divergência, eram de natureza operacional. Aliás, em nenhum momento pensou em tomar atitude de suspender o programa de vacinação em massa em desenvolvimento no país.

Paula Souza militou em todos os congressos brasileiros de tuberculose, do primeiro até os realizados na década dos anos 80. Em todos os seus trabalhos publicados ressaltou a constante preocupação com o controle da tuberculose no país, avaliando os aspectos institucionais, a problemática epidemiológica da tuberculose, e a formulação de políticas de saúde para seu combate.

Recebeu inúmeras homenagens, entre elas as premiações conferidas pela Academia Nacional de Medicina, e pela Sociedade Brasileira de Tuberculose, assim como a decisão do Serviço Nacional de Tuberculose de conferir seu nome ao sanatório de Curicica e sua efígie em bronze no Centro de Referência Hélio Fraga perpetuando o culto à sua memória.

Raphael de Paula Souza, dedicou toda a sua existência ao ideal ao qual serviu com unção religiosa, que foi sua luta contra a tuberculose. Nesta, seu nome está inscrito de forma indelével.

Há mais de dois séculos, Jean Jacques Rousseau, desenvolveu notável documento sobre o homem a serviço da sociedade, cujo conteúdo pode ser sintetizado no seguinte conceito “O Homem só existe quando é útil à humanidade”. Neste contexto Raphael de Paula Souza sempre existiu e continuará existindo como paradigma às futuras gerações de médicos.

Fonte: Revista Scielo – http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-460X1999000100010

Bernardo Léo Wajchermberg

Grande Perda na Endocrinologia Brasileira

A endocrinologia perdeu hoje um de seus grandes nomes. A SBEM, com pesar, informa o falecimento do Dr. Bernardo Leo Wajchenberg. O enterro será nesta terça-feira, às 11h, no Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo.

“Não gosto de gente velha. Só estou atualizado porque fico cercado dos residentes” – Professor Bernardo Leo Wajchenberg. O Dr. Bernardo Leo foi autor de mais de 200 artigos científicos, teve dois livros publicados e dezenas de capítulos em publicações, centenas de citações de artigos no mundo inteiro e ocupou o cargo de presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Mesmo depois dos 80 anos continuava acumulando produções científicas de reconhecimento mundial e mantendo diálogo terno com seus pacientes. Em 2007, recebeu o Distinguished Physician Award, da Endocrine Society, a partir de uma indicação da SBEM. “O Dr. Amélio Godoy-Matos me indicou para o prêmio. Ele pediu meu currículo e, por milagre… ganhei. Quando recebi a correspondência, achei que tinha algo errado. Resolvi conferir, ligando para os Estados Unidos e a senhora que me atendeu confirmou que era eu mesmo”, contou o professor.

O professor Wajchenberg seguiu a carreira médica pelo desejo do seu pai. Ele dizia que não tinha vocação. “Não vou dizer que me arrependo porque seria ridículo. Já que estou fazendo é melhor não me arrepender. Eu acredito no trabalho”.

Fonte: Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. http://www.tireoide.org.br/grande-perda-na-endocrinologia-brasileira/