Início 2018

Membros Honorários

Sérgio Almeida de Oliveira

22/07/193508/03/2019

Entrevista do Acadêmico Sergio Almeida de Oliveira com o Dr. Dráuzio Varella:

https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/cirurgia-cardiovascular-2/

SÉRGIO ALMEIDA DE OLIVEIRA

Helio Begliomini, titular e emérito da cadeira no. 21 da Academia de Medicina de São Paulo.

Sérgio Almeida de Oliveira nasceu em 22 de julho de 1935, em Campanha
(MG). É filho de Zoroastro de Oliveira Filho, médico formado pela Faculdade de
Medicina e Cirurgia de São Paulo, em 1927, e de Maria da Conceição Almeida de
Oliveira.
Graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas
Gerais, em Belo Horizonte, em 1960. É casado com Maria de Fátima Praça de
Oliveira.
Dedicou-se à carreira universitária no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), sendo assistente de clínica
cirúrgica do professor Alípio Corrêa Netto2
, em 1965. Galgou todos os postos,
tornando-se doutor (1972) e livre-docente (1975) em cirurgia; professor adjunto (1980)
e professor associado (1986) do Departamento de Cardiopneumologia; e professor titular da disciplina de cirurgia torácica e cardiovascular (2000-2005). Em 2006
recebeu o título de professor emérito da FMUSP.
Sérgio Almeida de Oliveira foi também diretor científico do Instituto do
Coração do HC-FMUSP (2000-2005) e é cirurgião cardiovascular nos hospitais
Beneficência Portuguesa, Albert Einstein e Sírio-Libanês.
Assim se resume seu vasto curriculum vitae: Teve 622 trabalhos apresentados
em congressos no Brasil e 210 no exterior; proferiu 379 conferências e palestras no
Brasil e outras 137 no exterior; possui 325 artigos publicados no Brasil e 118 no
exterior; escreveu 89 capítulos em livros editados no Brasil e cinco outros no exterior;
e editou seis livros.
Sérgio Almeida de Oliveira é membro das seguintes entidades: Associação
Paulista de Medicina (APM, 1967); Associação Médica Brasileira (AMB, 1967);
Sociedade Brasileira de Cardiologia (titular, 1973); Sociedade de Cardiologia do
Estado de São Paulo (Socesp – membro fundador, 1976); American College of
Surgeons (Estados Unidos da América – EUA, fellow, 1976); Sociedade Brasileira de
Cirurgia Cardiovascular (membro fundador e titular, 1981); Academia de Medicina de
São Paulo3
(1982); Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (membro
fundador, 1986); International College of Surgeons (EUA, 1988); International
Society of Cardiothoracic Surgeons (Japão, 1992); International Society for Minimally
Invasive Cardiac Surgery, (EUA, 1998); e American Association for Thoracic Surgery
(EUA, 2002).
Sérgio Almeida de Oliveira é professor Ad Honoris da Facultad de Medicina
Universidad de La Republica (Uruguai, 1985) e membro honorário e correspondente
de inúmeras sociedades de cardiologia e de cirurgia cardíaca de países latinoamericanos.
Foi o primeiro presidente da Sociedad Latinoamericana de Cirugia
Cardiovascular y Toracica (SLCCT), fundada em Miami (EUA), em fevereiro de
2004.

Ênnio Leão

O Academico Ennio Leao possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (1955), doutorado em Ciencias da Saude pela Universidade Federal de Minas Gerais (1979) e residencia-medica pela Universidade Federal de Minas Gerais(1956). Atualmente é Nenhum da Universidade Federal de Minas Gerais e Nenhum da Revista Médica de Minas Gerais. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Saúde Materno-Infantil. Atuando principalmente nos seguintes temas:Pediatria, Especialização.

Fonte: Escavador.

Liberato João Affonso Di Dio

Em sessão solene, a Faculdade de Medicina prestou, no último dia 19, homenagem póstuma ao professor Liberato João Affonso Di Dio, um de seus mais ilustres docentes, falecido em julho deste ano, aos 82 anos. Na ocasião, foi inaugurado retrato do homenageado na sala que leva seu nome e onde ele ministrou sua primeira aula na Unidade.

A homenagem foi proposta pelo professor Ernesto Lentz, do departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina, ex-aluno de Em sessão solene, a Faculdade de Medicina prestou, no último dia 19, homenagem póstuma ao professor Liberato João Affonso Di Dio, um de seus mais ilustres docentes, falecido em julho deste ano, aos 82 anos. Na ocasião, foi inaugurado retrato do homenageado na sala que leva seu nome e onde ele ministrou sua primeira aula na Unidade.

A homenagem foi proposta pelo professor Ernesto Lentz, do departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina, ex-aluno de Di Dio, e pela professora Iracema Matilde Baccarini, presidente da Associação do Professor Sênior da Faculdade de Medicina, oradora oficial da solenidade.

Ex-catedrático de Anatomia da Faculdade de Medicina da UFMG e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Liberato Di Dio é considerado “o pai de todos os anatomistas que estão em exercício em nossa faculdade”, segundo definição do professor Ernesto Lentz. Nascido em São Paulo, Em sessão solene, a Faculdade de Medicina prestou, no último dia 19, homenagem póstuma ao professor Liberato João Affonso Di Dio, um de seus mais ilustres docentes, falecido em julho deste ano, aos 82 anos. Na ocasião, foi inaugurado retrato do homenageado na sala que leva seu nome e onde ele ministrou sua primeira aula na Unidade.

Ex-catedrático de Anatomia da Faculdade de Medicina da UFMG e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Liberato Di Dio é considerado “o pai de todos os anatomistas que estão em exercício em nossa faculdade”, segundo definição do professor Ernesto Lentz. Nascido em São Paulo, Di Dio mudou-se para Belo Horizonte em 1954, quando prestou concurso para a cadeira de anatomia da Faculdade de Medicina. “Ele tinha uma maneira diferente de ensinar, com grande ênfase na parte prática. Di Dio também impulsionou a atividade de pesquisa em anatomia, tendo orientado 27 teses durante os dez anos em que aqui lecionou”, assinala Ernesto Lentz.

Di Dio mudou-se depois para os Estados Unidos, onde foi professor da Universidade de Chicago e idealizador da Faculdade de Medicina de Toledo, em Ohio.

Fonte: Boletim da UFMG, 2004.
https://www.ufmg.br/boletim/bol1451/setima.shtml

Thomaz de Figueiredo Mendes

10/08/191101/05/1996

Nasceu em 10 de agosto de 1911, na cidade de Mutuca, atualmente Elói Mendes (MG).

Filho de José Benedito Mendes e Adélia de Figueiredo Mendes.

Ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil em 1931. Após aprovação no concurso e início dos estudos médicos, em 1931, o então universitário Figueiredo Mendes passou a trabalhar como redator no Diário Carioca. Nos anos seguintes, além de ganhar conhecimentos médicos, desenvolveu sua capacidade literária, tornando-se grande amante dos livros. Tal fato marcaria sua vida futura, ao despertar sua ainda desconhecida capacidade para elaboração de textos, principalmente médicos. Participou do programa de aperfeiçoamento profissional do Institute of Inter-American Affairs e do Curso de Gastroenterologia da Universidade da Pensilvânia, onde conheceu o Prof. Henry Bockus, que exerceu grande influência em sua vida profissional e pessoal.

Professor Titular de Clínica Propedêutica Médica da Faculdade Nacional de Medicina e de Gastroenterologia da Escola de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas. Foi Chefe do Departamento de Gastroenterologia da 4ª Cadeira de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, Serviço do Professor Waldemar Berardinelli, onde permaneceu até 1955. Em 1956 foi nomeado Chefe de Clínica do Departamento de Gastroenterologia. Foi Professor também das faculdades de Medicina da Universidade Gama Filho e da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques. Trabalhou com o Professor Cruz Lima, na 7ª Enfermaria do Hospital Geral da Santa Casa do Rio de Janeiro até 1974, quando fundou o primeiro Serviço de Hepatologia do Brasil.

Em 15 de março de 1967, junto a Waldemar Podkameni e Jorge de Toledo (do Rio de Janeiro), José Fernandes Ponte e Luiz Caetano da Silva (de São Paulo) e Nereu de Almeida Júnior (de Minas Gerais) fundou a Sociedade Brasileira de Hepatologia, órgão máximo da Hepatologia no Brasil. O Acadêmico foi o primeiro Presidente da instituição.

A sua opção pela Hepatologia foi marcada, inicialmente, pelo interesse pela esquistossomose mansônica, doença que marcava profundamente o Brasil nos meados do século XX. Durante muitos anos divulgou o conhecimento brasileiro sobre a doença, possibilitando a troca de experiências com outras nações acometidas pelo mesmo problema e demonstrando a capacidade da hepatologia brasileira. Foi Assessor do Ministério da Saúde, em Esquistossomose e “Fellow” da Organização Mundial da Saúde para estudar o Problema da Esquistossomose Mansônica.

Foi Presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia e Membro de diversas Sociedades Científicas, nacionais e internacionais. Participando intensamente da vida científica do país, organizou congressos, jornadas, simpósios, publicou trabalhos e a publicação “Moderna Hepatologia”, única revista brasileira de Hepatologia, com 30 anos de circulação.

Na ocasião de sua candidatura a Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, apresentou memória intitulada “A ‘Hepatite B’ depois do antígeno Austrália”.

Faleceu em 1º de maio de 1996.

Ernane Agrícola

Formou-se em Odontologia em 1912 e médico em 1919 pela Faculdade de Medicina de Belo Horizonte. É pioneiro no país na luta contra a hanseníase e participou da elaboração do Plano Nacional de Combate à Lepra em 1935. É considerado um dos maiores leprologistas do continente.
Foi homenageado com o nome do Centro Municipal de Saúde do bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Existe ainda uma rua Ernane Agrícola no bairro Buritis, na cidade de Belo Horizonte.

Luiz V. Décourt

07/12/191101/02/2007

Luiz V. Décourt, ícone do humanismo científico

O Prof. Dr. Luiz V. Décourt deixou-nos, aos 95 anos de idade, em Maio. Há 25 anos afastado da vida Acadêmica, por força da lei, deixa um vazio que não se preenche com facilidade. Este número de CLINICS é dedicado à sua memória. Aqui na velha Revista do HC que foi sua também, entendemos que sua memória será mais bem reverenciada pelo depoimento emocionado do ex-aluno, hoje docente ilustre, do que com a rememoração sistemática de todos os seus grandes feitos, de resto conhecidos de todos.

Entrei na casa de Arnaldo em 1965, como carinhosamente chamamos a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, inaugurada por Arnaldo Vieira de Carvalho. A Congregação era àquele tempo composta apenas dos Professores Catedráticos, por nós encarados com profundo respeito, às vezes excessivo, beirando a reverência. Éramos garotos idealistas, e neles não enxergávamos defeitos, apenas virtudes. Formei-me em 1970, tendo passado como aluno por todos eles, Odorico Machado de Sousa, Isaías Raw, Carlos da Silva Lacaz, Luiz V. Décourt, Euryclides de Jesus Zerbini, Eurico da Silva Bastos, Edmundo Vasconcelos, Antonio de Barros Ulhoa Cintra, Arrigo Raia, Emilio Mattar, Sebastião de Almeida Prado Sampaio, Flavio Pires de Camargo e outros, ícones de nossa Medicina. Logo, tornei-me residente e preceptor de Clínica Médica, e meu contato com o Prof. Décourt tornou-se diário, como integrante do grupo que o rodeava nas atividades acadêmicas. Mais tarde, assistente da 2ª Clínica Médica, nosso contato aumentou mais. Aos poucos, desfez-se a aura de Professor Catedrático, revelando-se para mim a imagem do homem. Não vivia apenas dentro da medicina, mas também para a Medicina, pertencia a um Universo que poucos atingem. Discutia-se ali História, Filosofia, Vinhos e Música, principalmente, Música. Mas Décourt foi sempre uma presença para poucos, pois sua vida social era restrita. Nunca foi homem da mídia, abominava o “marketing”, cresceu e fez-se grande pela via de silenciosa discrição. Foi raríssimo exemplo de reconhecimento sem precisar de força ou propaganda. Era simplesmente um humanista. Como Cícero, acreditava na consciência ética com que fomos dotados pela natureza, que gera a justiça autêntica e universal, baseada não no interesse próprio, de pessoas ou de povos. Atitude talvez utópica, mas certamente exemplar. Com o tempo, muitos dos outros ídolos caíram, vítimas da soberba, da vaidade, da mesquinharia, do interesse próprio, dos jogos políticos rasteiros. Décourt, o sábio, era humilde e a Academia nunca foi para ele um meio, mas sim um fim. Nunca a usou para ganho próprio, tendo sempre vivido de forma simples. Sua imagem cresceu ininterrupta, natural e espontânea. Era autoridade pela força da pessoa, e não do cargo. Não conheço alguém que tenha feito mais discípulos do que ele. Muitos podem ter se perdido no caminho, mas a maioria permaneceu fiel aos ideais do mestre, perpetuando aquela forma determinada de consciência. Essa é a mais nobre das heranças humanas: cultural, moral e ética. Como Francisco de Assis, viveu a serviço da dignidade humana. Como Tomas de Aquino, jamais esqueceu a necessidade de respeitar a tradição construtiva. Com os exemplos que hoje nos rodeiam, onde mais vale a forma que o conteúdo, ele estaria fora da moda. Seu perfil, porém, independe de moda, pois, clássico que é, será sempre atual. Deixou-nos numa época em que a educação e a saúde tornaram-se simples mercadorias, que existem apenas em função de sua capacidade de gerar lucros materiais. Mas seguia Rousseau, em seu pensamento de que “o forte nunca é bastante forte para permanecer sempre no poder, se não transforma sua força em direito”. Direito de todos e para todos. Sabia ouvir, mas era cerebralmente intolerante com a intolerância alheia. Outros tiveram poder para modificar, fazer evoluir, construir de forma desinteressada, mas decepcionaram.

Décourt sempre soube que a verdadeira educação é de cunho moral, e não técnica. Construiu um paradigma de caráter, construindo alunos, médicos, ciência, cultura. A Segunda Clínica Médica, da qual muito se orgulhava, foi sua herança, da qual também nos orgulhamos. Costumava dizer que havia uma “mística” nessa Clínica, demonstrando apego e paixão pelo ambiente de trabalho, onde reuniu e agregou um enorme número de profissionais altamente produtivos, plantando as sementes do que viria a ser o Instituto do Coração, do qual foi o primeiro Diretor Científico, em integração com Zerbini, o primeiro Diretor.

E o médico Décourt quem era afinal? Na verdade, nada mais que um clínico com impressionante visão geral. Nada menos que o hoje mais nos falta, o clínico de família, o conselheiro médico, o “amigo”. Como dizia Agostinho, “aquele com que se pode compartilhar os segredos do coração”. Aliava a ciência à arte do contato humano. Seus discípulos se recordam muito bem de suas exigências quanto ao respeito aos pacientes, àqueles que sofrem. Exigia informações completas, antes de recorrer às técnicas de laboratório.

Morreu materialmente pobre, mas deixa-nos lições que fazem parte dos alicerces da vida. Sua missão está cumprida, e seguramente descansa em paz. O que mais poderia alguém desejar? Com Sófocles, podemos filosofar que de ninguém deve dizer-se que é feliz antes que se tenha completado os dias de sua existência mortal. Luiz Décourt é um desses imortais raros.

Charles Mady,

Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1807-59322007000400001

Valentim Gentil Filho

VALENTIM GENTIL FILHO

Hélio Begliomini
Membro titular e emérito da cadeira no 21 da Academia de Medicina de São Paulo

Valentim Gentil Filho nasceu em São Paulo, aos 21 de agosto de 1946. É filho
de Valentim Gentil e de Rita D’Andréa Gentil. Possui a cidadania brasileira e italiana.
É casado com Maria de Lourdes Felix Gentil, psicóloga, e pai de André Felix
Gentil, médico, e de Flávia Felix Gentil.
Valentim Gentil Filho graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade
de São Paulo (FMUSP), em 1970. Fez residência no Instituto de Psiquiatria do Hospital
das Clínicas (HC) da FMUSP (1971-1973).
Foi clinical assistant no Maudsley Hospital (1973-1974) e galgou a condição de
PhD2 em psicofarmacologia clínica no Institute of Psychiatry do Kings College, em
Londres, Inglaterra, em 1976.
Fez carreira universitária no Instituto de Psiquiatria do HC da FMUSP,
tornando-se livre-docente em psiquiatria, em 1987; professor associado do
Departamento de Farmacologia do ICB-USP3 até 1987, e, atualmente, do Departamento
de Psiquiatria da FMUSP. É professor titular de psiquiatria desde 1994.
Dentre outros cargos que ocupou no Instituto de Psiquiatria do HC da FMUSP
salientam-se: chefe do Departamento de Psiquiatria (1992-1996 e 2008-2009) e ex-presidente do Conselho Diretor (1994-2006), sendo membro titular desse conselho
desde então.
Valentim Gentil Filho ingressou como membro titular da Academia de Medicina
de São Paulo, em 30 de junho de 1992, sendo o primeiro ocupante da cadeira no 15
desse sodalício, cujo patrono é Mário Yahn.

Euryclides de Jesus Zerbini

Pioneiro da cirurgia cardíaca no Brasil e do transplante cardíaco no mundo, o Professor Zerbini representou um raro exemplo de homem que merece ser chamado de benfeitor. Médico cirurgião e professor, ele viveu para promover a valorização da vida de seu semelhante. Além de desempenhar, com zelo e competência, seu nobre ofício de curar, Professor Zerbini desenvolveu novas tecnologias cirúrgicas que lhe permitiram criar as primeiras técnicas de operação do coração no Brasil, a despeito da escassez e da deficiência de recursos existentes à época (década de 1960).

Curar os desprovidos e os desamparados tornou-se sua bandeira. E a criação do Instituto do Coração, o grande sonho de sua vida. No caminho para a realização desse desejo visionário, contou com colaboradores fundamentais, entre eles o clínico Prof. Dr. Luiz Venere Décourt.

Em 10 de janeiro de 1977, o desejo visionário da criação de um grande centro de excelência em cardiologia e pneumologia se concretiza com a inauguração do InCor – Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Em seguida, a visão criativa e corajosa do Professor Zerbini e de seus colaboradores abre uma nova fronteira. É criada a Fundação Zerbini, um modelo internacional de fundação de apoio de direito privado a hospital público universitário.

Biografia

Filho de Eugênio Hugo Zerbini e de Enerstina Teani, Euryclides de Jesus Zerbini nasceu na cidade de Guaratinguetá, Estado de São Paulo, em 7 de maio de 1912, sendo o caçula de sete irmãos.

Ainda garoto e morando em Campinas com seus pais, Zerbini freqüentou o Colégio Diocesano Santa Maria em 1927 e 1928, onde também estudou Luiz Venère Decourt. Já formado, em 24 de janeiro de 1949, o Professor casou-se com a Dra. Dirce Costa, médica formada na Faculdade de Medicina da USP em 1948. Seus filhos: Roberto, Eduardo e Ricardo.

Formação Acadêmica

Em dezembro de 1929, Zerbini mudou-se para São Paulo e em 1930 foi aprovado no Exame Vestibular da Faculdade de Medicina de São Paulo, sendo diplomado em 6 de dezembro de 1935.

Já formado em 1936, Zerbini iniciou suas atividades cirúrgicas no Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo na 17ª Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Em 1939, trabalhando no Hospital São Luiz Gonzaga da Santa Casa, passou a se dedicar à cirurgia torácica e pulmonar, o que o levou, em 26 de março de 1941, a defender a sua tese de Livre-Docência, cujo conteúdo dizia a respeito à colapsoteraia do pulmão afetado pela tuberculose.

Site Referência Bibliográfica

Site Exposição Zerbini: Homem, o Cirurgião, o Cientista – Publicação utilizada no Ciclo de Exposições do Centenário da Faculdade de Medicina- USP – Realizado pela Universidade de São Paulo, FMUSP, HCFMUSP, Instituto do Coração, Fundação Zerbini e Fundação Faculdade de Medicina.

Fonte: Fundacao Zerbini.

Mário Osvaldo Vrandecic Peredo

Mario Osvaldo Vrandecic Peredo nasceu em Cochabamba, Bolívia em 8 de dezembro de 1942. Sua mãe Alcira Peredo era boliviana e seu pai Juan Vrandecic, croata.
Em Cochabamba estudou no Colégio De La Salle.
Durante o curso de medicina estagiou com o cirurgião cardiovascular Ricardo Pereira de Souza, com o neurocirurgião Guilherme Cabral Filho e com Dr. Marcos Prates, otorrinolaringologista.
Morou no Colégio Arnaldo, no Hospital São José e Hospital da Baleia.
Casou-se com Heloisa Angélica Corrêa em 1969. Seus filhos Erika, cardiologista e Ektor, cirurgião cardíaco nasceram ambos no Henry Ford de Detroit quando ele era residente lá.
Ao voltar dos EUA trabalhou na Santa Casa e também no Prontocor e com Dr. Aparício Silva de Assis na equipe de transplantes renais.
Lecionou técnica cirúrgica no curso de medicina da UFMG durante vários anos.

Médico formado em julho de 1965 pela Faculdade de Medicina da UFMG, com especialização na América do Norte onde, durante 12 (doze) anos consecutivos, obteve o titulo de Cirurgião Cardiovascular e Torácico, atuando em renomadas instituições que incluem a Cleveland Clinic, Henrry Ford Hospital, Mount Sinai School of Medicine, Harvard University-Boston Children Hospital. Essa experiência profissional, além do conhecimento e da capacitação técnica, rendeu a Mario Vrandecic o contato com pesquisas em tecidos biológicos, sendo determinante na formação da sua visão como pesquisador de produtos cardiovasculares, com inúmeros estudos e várias patentes registradas, das quais se destaca a bioprótese cardíaca porcina, feita em Belo Horizonte, Brasil, em uso clínico desde 1980, que, hoje, é o único produto ou substituto valvar implantável fabricado fora do território norte-americano aprovado pelo FDA e utilizado nos Estados Unidos. É autor de publicações diversas na sua especialidade cirúrgica, divulgadas no Brasil e no exterior, e Membro titular de associações nacionais e internacionais. Como idealizador e empreendedor, fundou o Biocor Instituto, Hospital Geral de alta complexidade, situado em Nova Lima, MG, do qual é o Diretor Geral, destacando-se como incentivador da gestão por resultados, integrada e informatizada, com foco no atendimento humanizado e na melhoria contínua, destacando-se, ainda, por suas práticas de responsabilidade social e meio ambiente.

Fonte: Escavador

Prêmios:

2013 – Membro Honorário Academia Mineira de Medicina
2014 – Prêmio “100 Mais Influentes na Saúde” Healthcare Management
– Medalha Santos Dumont – Governo do Estado de Minas Gerais
2015 – Medalha Do Mérito Consular Associação dos Membros do Corpo Consular MG /
AMCC-MG
– Jubilado de Ouro – CRM Minas Gerais
2016 – Prêmio – Atenção ao Paciente / Prêmio Excelência da Saúde – Revista Healthcare Management
– Prêmio – 100 Mais Influentes da Saúde / Gestor na Saúde – Revista Healthcare Management
– Prêmio – XXIV Congresso Brasileiro de Cardiologia e Cirurgia / Cardiovascular Pediátrica
2017 – Prêmio – Qualidade e Segurança / Excelência da Saúde 2017 Saúde Revista Healthcare Management
– Prêmio 100 Mais Influentes da Saúde – Qualidade e Segurança Revista Healthcare Management
– Homenagem pelo trabalho realizado e pelas conquistas da instituição nos últimos anos. Grupo Mídia
2018 – Prêmio – 100 Mais Influentes da Saúde – Projetos de humanização Revista Healthcare – Management

PUBLICAÇÕES CIENTÍFICAS

Control of Autogenous Vein Grafts Prior to Reimplantation, by Electron Microscopy, 1972; 30th Ann. Proc. Electron Microscopy, Soc. Amer. Calif. Trabalho inédito.

Immediate and Short Term Histologic Changes in Autogenic Vein Grafts Under Normothermic and Hypothermic Conditions 1972; American College of Surgeons. Michigan Chapter, Ann Arbor.

Support of Severely Impaired Cardiac Performance with Left Heart Assist Device Following Intracardiac Operation. Heart & Lung, 1978; July/August, Vol.7 Nº 4

Ultraestrutura dos Enxertos Autólogos de Veia Safena Preservada em Normotermia e Hipotermia. Estudo Histológico e Eletromicroscópico das Alterações Imediatas e a Curto Prazo. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 1981; 37/4: 247 252, Outubro.

Clinical Experience with the Biocor Heart Valve with no Anticoagulant Therapy. Presented at the International Symposium on Bioprosthesis Held in Rome Italy May 1982; as invited discussant.

Resultados Clínicos e Hemodinâmicos da Bioprótese Biocor. Estudo Cooperativo Preliminar. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 1983; 41/4:255 260, outubro.

Avaliação Hemodinâmica da Prótese Heteróloga Biocor. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 1984; 42/2:123 128, fevereiro.

Clinical Experience with a New Generation of Porcine Bioprostheses. Biologic Bioprosthetic Valves, 1985;Bodnar,E.;Yacoub, M., pp. 559.665.

– Clinical Experience with the Biocor Bioprosthesis 1985; Hospital Lariboisiere-Paris

New Graft for the Surgical Treatment of Small Vessel Diseases. The Journal of Cardiovascular Surgery 1987; Vol.28; Nº6, pp.711 714 , Nov/Dec.

– Análise de Fatores Pré e Per-operatório Determinantes do Resultado Cirúrgico da Tetralogia de Fallot. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular 1987; 2(2):102-108.

Avaliação do Gradiente de Pressão na Estenose Valvar Mitral com Ecocardiografia Bidimensional- Doppler Pulsado. Arquivos Brasileiros de Cardiologia1988; 51/3:245.247, setembro.

Estudo Multicêntrico dos Resultados das Trocas Valvares com o uso da Bioprótese Biocor no Estado de Minas Gerais. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular 1988; 3(3):159 168

– Ecocardiografia Doppler: Princípios Físicos, Metodologia e Aplicações. Arquivo Brasileiro de Cardiologia,1988; 50(1): 53-57.

– Correção Cirúrgica de Aneurisma da Aorta Torácica por Técnica de Exclusão. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular 1988; 3(1): 65-72.

– Clinical Results with the Use of the Biocor Bioprosthesis:A Multicentric Study. Heart Surgery 1989, Editor Luigi C. D’Alessandro. Casa Editrice Scientifica Internazionale, Roma, 1989; pp.227-242.

– Biocor Bioprosthetic Valves: Our Experience. Heart Surgery 1989. Editor Luigi C.D’Alessandro – Casa Editrice Scientifica Internazionale, Roma, 1989; pp.243-252.

The use of PTFE Graft to Correct Anomalous Drainage of Persistent Left Superior Vena Cava. J. Cardiovasc. Surg.,1990; 31 – pp.815-817.

– Fibrilação Ventricular em Portador de Displasia Ventricular e Prolapso Valvar Mitral. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 1990; 55/5:311, Novembro.

Clinical Results with the Biocor Porcine Bioprosthesis. J Cardiovsc Surg 1991; 32(6):807-813.Nov/Dec.

Correção de Doenças da Aorta Torácica com Utilização de Hipotermia Profunda e Parada Circulatória. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular 1991; 6(1):11 16.

Miocardiopatia Induzida por Taquicardia Ventricular Incessante (“Taquicardiomiopatia”). Cura Após Controle de Arritmia. Arquivos Brasileiro de Cardiologia 1992; 58(3): 209 214.

Ablação Química Transcoronária de Taquicardia Ventricular em Portador de Cardiopatia Chagásica Crônica. Arquivos Brasileiro de Cardiologia 1992; 58/4: 307 310.

Stentless Porcine and Pericardial Valve in Aortic Position. Ann Thoracic Surgery 1992; 54:681 5.

– Nova Bioprótese Aórtica Sem Suporte: Resultados Clínicos. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular 1992; 7(3):208-214.

– Clinical Use of a New Stentless Porcine Aortic Bioprosthesis: A Multicenter Study. Cardiology and Cardiac Surgery from Grossi, A., Donatelli, F., Corno, A., Brodman, R.: Current Topics Mount Kisco, NY, Futura Publishing Co., Inc. Chapter, 1992; 18 pp.223-234.

– Cirurgia para Síndrome de Wolff-Parkinson-White no 1º Ano de Vida. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 1993; 60(4):253-256.

– Conexão Átrio-Fascicular com Condução Lenta e Dissociação Longitudinal. Comprovação Eletrofisiológica e Implicações Clínicas. Arquivos Brasileiros de Cardiologia 1993; 60(6):411-415.

– Stentless Porcine Aortic Valve: Mid-Term Clinical Follow-up. Heart Surgery 1993, Editor Luigi C. D’Alessandro. Casa Editrice Scientifica Internazionale, Roma 1993; pp. 43-56.

– Heterologous Mitral Valve Transplant. New alternative for Mitral Valve Replacement: Once Year Clinical Follow-up. Heart Surgery 1993, Luigi C. D’Alessandro, Casa Editrice Scientifica Internazionale, Roma 1993; pp. 57-68.

– Implante de Bioprótese Aórtica Stentless em Pacientes com Alterações do Anel Aórtico. Rev. Bras. de Cir. Cardiovascular 1993; 8(2):118-124.

– Transplante Heterólogo Mitral – Nova Alternativa Cirúrgica – Estudo Clínico Inicial. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular 1993; 8(2):83-90.

– The New Stentless Aortic Valve: Clinical Results of the first 100 patients. Cardiovascular Surgery 1994; Vol. 2 Nº 3 – pp. 407-133.

– Heterologous Stentless Mitral Valve Transplant – A New Approach for Mitral Valve Replacement. European Journal for Cardiac Interventions 1994; Vol. 3 Nº. 3 pp. 130-133.

– Surgical Repair of Transposition of Great Arteries and Total Anomalous Pulmonary Venous Return to the Coronary Sinus (TGA with TAPVR). European Journal Cardio Thoracic Surgery 1994; 8:391-392.

– The Mitral and Aortic Porcine Stentless Heart Valves – New Concepts in design and Tissue- Short and ind term follow-up. New Horizons and the Future of Heart Valve Bioprostheses; Sholomo Gabbay and Robert Frater. Silent Partneers, Inc. Austin 1994; Chap. 11 pp. 143-170.

– Esternorrafia Secundária em Cirurgia Cardíaca Pediatrica. Arquivos Brasileiro de Cardiologia 1994; Vol. 62 Nº. 2.

– Replacement of the Ascending Aorta and Aortic arch with Bovine Pericardial Graft. European Journal Cardiothoracic Surgery 1994; Vol. 9 No. 2.

– Stentless Heart Valve Concept: New Anticalcificant Tissue Tanning – Pre Clinical Trial. Stentless Bioprosthesis, Edited by Armand Piwnica and Stephen Westaby, Isis Medical Media 1994; Cap. 12, pp. 101-.107.

– Porcine Stentless Heart Valve Substitutes Technicial and Clinical Data Short and Mid-Term Follow-up. Stentless Bioprosthesis, Edited by Armand Piwnica and Stephen Westaby, Isis Medical Media 1994; Chap. 27, pp. 205-210.

– Porcine Stentless Mitral Heart Valve Substitute: Short Term Clinical Data. Journal Cardiovascular Surgery 1994;35(suppl.1 to No.6):pp.41-5.

– Porcine Stentless Aortic Heart Valve Substitute Mid-Term Clinical Follow-up. Journal Cardiovasc 1994; Surg. 35(suppl. 1 to No.6):pp.31-4.

– Substituição da Aorta Ascendente e Arco Aórtico por Enxerto de Pericárdio Bovino: Resultados a Médio Prazo. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, 1994; 9(2): 81-87.

– Bioprótese Aórtica Porcina “Stentless”: Acompanhamento Clínico a Médio Prazo. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular 1994; 9(1):60-63

– The First Anticalcificant Tanning of Biological Tissues With Full Cytocompatibility: Initial Comparative Analysis. Heart Surgery 1995, Luigi C. D’Alessandro, Casa Editrice Scientifica Internazionale,Roma 1995; Chap.80, pp.519-531.

– Mid-Term Comparative Analysis Between Mechanical Prosthesis-Porcine Bioprosthesis and Stentless Heterologous Heart Valves. Heart Surgery 1995, Luigi C. D’Alessandro, Casa Editrice Scientifica Internazionale, Roma 1995; Chap. 8, pp.79-94.

– Replacement of the Ascending Aorta and Aortic Arch With Bovine Pericardial Grafts. European Journal of Cardiothoracic Surgery 1995; 9:pp.127-132.

– Porcine Stentless Aortic Valve in Re-replacements and Acute Aortic Valve Endocarditis. The Journal of Heart Valve Disease 1995;4:171-175.

– Heterologous Mitral Valve Transplant: The first 50 Patients Clinical Analysis. European Journal Cardiothoracic Surgery 1995; Vol. 9, pp.69-74.

– The Biocor Stentless Mitral Bioprosthesis. Journal Heart Valve Disease, 1995; Vol. 4 No. 3. May/1995.

– Surgical Technique of Implanting the Stentless Porcine Mitral Valve. Ann Thoracic Surgery 1995; 60:S439-42.

– Cirurgia de Glenn Bidirecional: Importância da Manutenção de Fluxo “Pulsátil” na Artéria Pulmonar. Rev. Bras. Cir. Cardiovasc 1995; 10 (1):25-33, 1995. Rev. da Sociedade Mineira de Cardiologia. Vol. 1 No. 2, 1995. Revista Chilena de Cardiologia 1995; Vol. 14 No. 3 julho/setembro

– Fibrilação Ventricular em Paciente com Forma Permanente da Taquicardia Juncional Reciprocante. Arquivos Brasileiros Cardiologia 1996; Volume 66 (No.1),25-27.

– Late Complications After Surgical Exclusion of the Thoracic Aorta. Eur. J. Cardio-thorac Surg 1996; 10:590-592.

1997
• Porcine Mitral Stentless valve mid-term clinical results. European Journal of Cardiothoracic Surgery 12 (1997) 56-62. Autores: Mario Vrandecic, Fernando Fantini, Bayard Gontijo Filho, João Alfredo de Paula e Silva, Idail Martins, Ozanan César de Oliveira, Carla Oliveira, Marcelo Hermeto Oliveira, Erika Vrandecic, Ektor Vrandecic, Sandra O. S. Avelar
• Resultados Imediatos e tardios da correção cirúrgica da dissecção aguda da aorta ( tipo A ) . Revista Bras. Cir.Cardiovasc. 1997; 12(4): 311-8. Autores: Mario Vrandecic, Fernando Fantini, Bayard Gontijo Filho, Flávio Coelho Colluci.
• Resultados a longo prazo da reconstrução da via de saída do ventrículo direito com monocúspide porcina. Revista Bras. Cir. Cardiovasc. 1997; 12(4) 319-24. Autores: Mario Vrandecic, Fernando Fantini, Bayard Gontijo Filho, Cristiane Martins, Roberto Max Lopes, João Alfredo de Paula e Silva, Maria da Glória Horta, Marcelo Frederique de Castro, Leonardo Ferber Drumond, Arturo Ferrufino

1998

• The Use of Bovine Pericardium for Pulmonary Valve Reconstruction or Conduit Replacement: Long-Term Clinical Follow Up. The Journal of Heart Valve Disease (1998;7:54-61) Vol. 7 nº 1 January/1998. Autores: Mario Vrandecic, Fernando Fantini, Bayard Gontijo Filho, Cristiane Martins, Roberto Max Lopes, João Alfredo de Paula e Silva, Juscelino Barbosa, Idail Martins, Ozanan César de Oliveira,Carla Oliveira, Eduardo Alcocer, Erika Vrandecic, Leonardo Ferber Drumond, Arturo Ferrufino

• Use of Bovine Pericardial Tissue for Aortic Valve and Aortic Root Replacement: Long-Term Results. The Journal of Heart Valve Disease (1998;7:195-201) Vol. 7 nº 2 March/1998. Autores: Mario Vrandecic, Fernando Fantini, Bayard Gontijo Filho, Cristiane Martins, Roberto Max Lopes, João Alfredo de Paula e Silva, Juscelino Barbosa, Idail Martins, Ozanan César de Oliveira,Carla Oliveira, Eduardo Alcocer, Erika Vrandecic, Leonardo Ferber Drumond, Arturo Ferrufino

CONFERÊNCIAS, SIMPÓSIOS E CONGRESSOS NACIONAIS (1997-1998)

1997
• 24o. Congresso Nacional de Cirurgia Cardíaca, 1o. Congresso do Mercosul de Cirurgia Cardíaca – Campo Grande – MS, 17 a 19 de
Abril. Na Qualidade de Autor do Tema:
 “Resultados Imediatos e Tardios da Correção Cirúrgica da Dissecção Aguda de Aorta (Tipo A)”.
Na Qualidade de Comentador do Tema Livre:
 “Resultados no Terceiro Ano da Válvula de Carbono de Disco Basculante com Revestimento de Material Biológico em Posição
Mitral com Baixa Dose de Anticoagulante Oral”.

Na Qualidade de Co-Autor do Tema:
 “Resultados a Longo Prazo da Reconstrução da Via de Saída do Ventrículo Direito com Monocúspide Porcina”.
• IX Congresso Brasileiro de Ecocardiografia, Simpósio Internacional de Color Duplex Scan- Salvador, Bahia, 01 a 03 de Maio.
Na Qualidade de Co-autor do Tema:
 “Uma nova bioprótese aórtica porcina sem suporte (“Stentless”): Análise Ecocardiográfica Comparativa e Evolutiva.
• Conferencista na ADESG – Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. “O Sistema Hospitalar Privado no Brasil”
1998
• Conferencista no Curso de Pós-Graduação em Cirurgia Cardiovascular, Torácica e Anestesiologia da Universidade Federal de São
Paulo – Escola Paulista de Medicina. Tema: “Avanços nas Biopróteses Stentless”.
• Conferencista na ADESG – Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra. “O Sistema Hospitalar Privado no Brasil”

CONFERÊNCIAS, SIMPÓSIOS E CONGRESSOS INTERNACIONAIS (1997-1998)

1997
• International Symposium of Heart Valve Surgery, Honoring Professor Dr. C. W. Lillehei, March 4 1997.

Na Qualidade Autor dos temas:
 Clinical Results with the use of Aortic Porcine Stentless Valve.
 Stentless Bioprosthesis.
• II International Symposium, Noordwijc, The Netherlands, April 11 & 12 Na Qualidade Autor dos temas:
 Long Term Results of a Porcine Aortic Valve Monocusp used in Right Ventricular Outflow Tract Reconstruction.
 Porcine Mitral Stentless Valve Critical – Analysis at Five Years.
 Clinical Results with the Use of SJM-Biocor Stentless Aortic Valve at 7 Years.
• St. Jude Medical – SJM-Biocor Stentless Valve Meeting, Noordwijc, The Netherlands, April 12. Na Qualidade Parcitipante.
• 77th Annual Meeting – AATS (The American Association for Thoracic Surgery), Washington, DC May 4 – 7, 1997.

1998

• 78th Annual Meeting – AATS (The American Association for Thoracic Surgery), Boston, Massachusetts, May 3, 1998. Na qualidade
de participante.

• Conferencista no “The Midlands Cardiothoracic Surgical Meeting” Nottingham – Inglaterra. – Tema: Lecture – Experience With Stentless Mitral Valve Replacement

ENTREVISTA À REVISTA “VIVER BRASIL” à jornalista Luisana Gontijo, em 16/01/2015:

“Sou bem mais brasileiro do que você, porque você só nasceu aqui e eu escolhi viver aqui. E escolhi lá de cima, de 3 mil metros de altura, uma cidadezinha parecida com aquela em que eu morava, Cochabamba, na Bolívia, que tem um perfil montanhoso muito semelhante ao de Belo Horizonte. A partir daí, desde 20 de dezembro de 1959, quando cheguei, me encantei”, diz o cardiologista Mario Vrandecic, para explicar seu amor pela capital mineira. Foi na cidade que ele estudou medicina, na UFMG, se casou e teve 2 filhos, que seguiram seus passos na profissão. Entre as várias coisas que impressionam no doutor Mario, como é chamado pelos corredores do Biocor, é a vitalidade, a pressa com que caminha, cumprimentando todos que encontra, e o amor pela própria vida e pela das outras pessoas. “Gosto de estar vivo. Gosto de mim. Porque só assim posso gostar do outro. O carinho, para mim, é uma coisa fundamental. A gente está aqui para conseguir a confiança do outro. Porque, se a gente consegue a confiança do outro, estamos realizados internamente”, ensina. No entanto, ele acha que a falta de referência, de confiança, leva as pessoas ao caos.

Como se consegue a confiança do outro?
Ela não vem por acaso. Tem que ser trabalhada. Aprendi desde cedo que trabalhar em equipe não pode ser opção. Tem que ser obrigação. Porque o risco e tudo o que acontece somos nós que fazemos. O risco não vem por acaso, 98% são gerados pela pessoa. Então, esses riscos precisam ser gerenciados pela própria pessoa. E, é claro, isso a gente aprende em casa, escuta na faculdade, aprimora durante a vida profissional. Com certeza, nunca completa o ciclo. Sempre fica faltando alguma coisa, porque nós não podemos falar que sabemos tudo. Nem que conseguimos tudo, porque estamos sempre começando. Esse é o espírito que tenho dentro de mim. Essa é a formação que tive. Não só dos meus pais, mas, certamente, dos meus professores.

O senhor veio para o Brasil com quantos anos?
Eu vim muito novo. Só para dar uma ideia, na escola de medicina, fui o mais novo da minha turma, me formei com 21 anos. E aí, aprendi muito, porque, quanto mais novo você é, aprende mais.

E o surgimento do Biocor veio logo depois da sua formatura?
Na verdade, fui eu que fundei o Biocor Instituto. Eu estudei medicina em Belo Horizonte e, logo depois da formatura, fui para os Estados Unidos, onde fiz curso de pós-graduação de 12 anos. Passei por anatomia patológica e cirurgias geral, vascular, cardíaca, de adulto, primeiro, e, em seguida, de crianças. Depois da volta dos Estados Unidos, por todo lugar em que eu ia, não conseguia fazer aquilo que queria fazer. Aí, surgiu a ideia de criar o Biocor Instituto. Para isso, precisava de dinheiro. Eu tive a sorte de ter bons professores e a gente fez muitas pesquisas sobre tecidos biológicos. E, como cirurgião cardiovascular que sou, tinha muita dificuldade de encontrar substitutos de válvula cardíaca e arteriais de toda natureza para corrigir as patologias dos nossos pacientes. O que tinha era muito caro. Aí, então, comecei a fazer essa pesquisa, que demorou algum tempo, e a gente desenvolveu 16 patentes. Eventualmente, depois de patenteá-las, iniciamos a parte de manufatura, propriamente dita, e em seguida a de vendas. E isso gerou dinheiro com o qual eu iniciei o Biocor, para fazer aquilo que era meu sonho: cuidar da população.

O Biocor, então, nasceu de um sonho?
Exatamente. Primeiro, de um sonho de realizar aquilo em que acredito: que temos de gostar da gente antes de tudo para poder gostar dos outros. Porque não tem jeito de você dar o que não tem. Se tem carinho dentro de você, vai dar carinho aos outros. É isso que é medicina, é essencialmente humana. Parece redundante a gente falar isso, mas, pensando bem, hoje tem sido dito que a medicina precisa ser humanizada. Nós somos humanos. Ela é para as pessoas. E só acontece quando há esse carinho. Às vezes, você vai a uma repartição pública e vê que a pessoa não gosta do que faz. Não enxerga você. Em uma instituição hospitalar, isso não pode acontecer. É aí que surgem erros. A pessoa tem que ser vista como se fosse você, que a está atendendo. Então, na hora em que vai colher um acesso, usando agulha, você tem que sentir a dor da pessoa. Essa é a filosofia. Nós construímos o Biocor dentro dessa filosofia e, para manter isso, a gente precisa de pessoas. Graças a Deus, contamos, desde o início, com um grupo de residentes para os quais ensinamos o que aprendemos e passaram a ficar conosco. Chegaram outros residentes e assim se formou um corpo clínico bastante homogêneo.

Como era a estrutura inicial?
Começamos com 80 leitos, depois, passamos para 150 e hoje temos 320. É uma instituição focada nas doenças de alta complexidade, multidisciplinar. E isso foi feito a pedido da comunidade. Foi ela que exigiu isso. E para que atendêssemos a essa demanda, crescemos nas especialidades, que hoje são 45. A única que não temos totalmente desenvolvida é a obstetrícia, porque é um departamento separado, uma filosofia diferente. Porém fazemos obstetrícia em pacientes com doenças cardíacas. Somos referência nacional e internacional nesse aspecto. Fazemos cerca de 700 cirurgias por ano em crianças com até 3 meses de idade.

Como manter o equilíbrio financeiro de um hospital do porte do Biocor?
Não é diferente de qualquer empresa. Administrar nada mais é do que atingir as metas previamente definidas. Para isso, é preciso um planejamento adequado. É a partir daí que as ações, também claras e bem definidas, e as pessoas – da alta direção ao operacional –, para empregar esse planejamento, se encaixam. Sempre conversando entre todos, para que se veja quais são as necessidades fundamentais.

O hospital tem quantos funcionários?
Somos 1.350. Um hospital sempre tem um número maior de trabalhadores, porque funciona 24 horas, 7 dias por semana, 365 dias por ano. O número de médicos, autônomos, que compõem o corpo clínico está em torno de 400. Isso sempre oscila um pouco. Somos um relógio de mais 1,7 mil peças, que, para funcionar, tem que haver harmonia, sintonia e todos têm que conhecer a meta, senão, os resultados são muito desiguais.

Há algum investimento especial na formação desses profissionais?
Nós temos relacionamento grande com o Monte Sinai, uma escola de medicina em Nova Iorque e também com a universidade de lá. Neste ano, logo depois do Carnaval, uma médica muito competente, de cuidados intensivos, virá e ficará conosco durante 1 semana, para comparar resultados, ver como é que está sendo feito. Isso aqui é uma prática comum. Muitas vezes, um colega nosso, mais jovem, vai para lá e fica 2, 3 meses, dependendo da necessidade de aprendizado. Vamos também para a Europa e leste dos Estados Unidos, como Boston. Essa troca de informação acontece de uma forma natural na medicina e isso é muito salutar. No Biocor Instituto, nestes 30 anos, pelo menos 500 pessoas, na especialidade cardiológica, de cirurgia cardíaca, vieram ficar uma semana conosco.

Como é feito esse estudo?
Desde o início, definimos a segunda-feira como o dia mais importante da semana. É quando escolhemos os pacientes mais críticos, que poderão ser operados ou precisarão de tratamento mais complexo. Nos reunimos, vemos os prós e contras, conversamos com as famílias, consideramos a possibilidade de uma segunda, terceira ou quantas opiniões forem necessárias. Assim, a primeira parte da reunião é dedicada a apontar que pacientes se encontram em situação mais crítica. A segunda parte é a análise dos óbitos, feita de forma muito pontual, pelas pessoas que participaram do processo. Com isso aprendemos, crescemos. E a terceira parte da reunião é escolher um tema no qual nossos resultados não estão bons e apontar uma pessoa, previamente, para que possa atualizar a literatura nesse tema.

Como é que o senhor define o Biocor Instituto hoje, aos 30 anos de existência?
O Biocor é uma instituição de referência em alta complexidade, que tem como fundamento o acolhimento e o amor para cada uma dessas pessoas que aqui chegam. Isso podemos verificar por meio das visitas diárias que faço a todos os pacientes. Desse modo, tenho uma ideia do que preciso atualizar. O objetivo é, primeiro, ver como o paciente está. Segundo, é conversar com a família. Nós temos um sistema que me permite acessar do celular todas as informações sobre os pacientes e sobre o hospital, inclusive da parte econômica. Temos 12 salas de cirurgia, 3 salas de hemodinâmica, somos o benchmarking internacional no tratamento do infarto agudo do miocárdio. O paciente chega à internação com queixa de isquemia miocárdica e, a partir daí, até que essa artéria seja aberta, levam 56 minutos. A média, em outras instituições, é 120. Fazemos em menos da metade do tempo, o que permite que o tamanho do infarto seja bem menor.

Isso significa que o senhor trabalha 24 horas por dia?
É. Isso é a minha vida. Eu sou feliz assim. E eu consegui conquistar isso com minha família. Minha esposa sempre esteve do meu lado. Ela nos ajuda na parte econômica da instituição. Meu filho é cirurgião cardíaco, como eu. Minha filha é cardiologista.

Há algum novo investimento?
Eles nunca param. Temos 35 mil metros quadrados de área construída. Acabamos de conseguir aumento de 120 suítes, remodelamos todas as instalações. Vamos aumentar 4 salas de cirurgia, de imediato. Estamos construindo, em 5 mil metros quadrados, um centro oncológico para a região, que é carente. Isso foi feito a pedido dos pacientes. Temos equipamentos como tomografia de última geração, ressonância magnética que só falta falar, que chegará ao hospital logo depois do Carnaval. Temos tudo o que é necessário para que a pessoa seja atendida em tempo real, sem precisar sair da instituição.

O que o senhor acha que leva a tanta denúncia de problemas na área de saúde no Brasil?
Um país só progride quando a educação e a saúde estão bem sintonizados. Sem isso, não tem como. E essa sintonia é fundamental para que as pessoas tenham referência, que vem daquele bom dia que a gente dá. Posso, por exemplo, citar aquilo que a civilização Quechua (povos sul-americanos) expressa no bom dia. Eles falam assim, olhando no olho: não seja preguiçoso, não seja mentiroso, não seja ladrão. Eu não sei por que não implantamos isso aqui. Se fizéssemos isso, imagina como seria o Brasil? Ninguém segurava. Então, educação e cultura permitem que a gente goste de nós para poder gostar do outro. Se não existe referência, tudo é possível, em todas as esferas, seja na advocacia, na engenharia, na medicina. Precisamos é canalizar e fazer uma boa gestão. Um exemplo bem claro é a Coreia do Sul. Tive oportunidade de estar lá, há muito tempo. Vi um país paupérrimo, uma coisa terrível. Voltei lá mais de uma vez. E, hoje, mais de 90% da população passam 19 anos estudando. Aqui, no Brasil, nem sabemos qual é o número de anos de estudo. Essa parte é produto da falta de referência, que começa em casa. É respeito, amor, carinho. Tem gente que fala ética. Na minha opinião, ética nada mais é do que fazer para o outro o que gostaria que façam para mim. Estamos aqui para gerar confiança. O contrário é caos. Nós estamos vivendo um caos ético, por falta de referência. Nós temos que resolver esse problema primeiro. A partir daí, vamos ver que a infraestrutura é fundamental em qualquer país e ela tem que crescer, com medicina preventiva, geração de educação, de saúde melhor.

Que panorama o senhor faz da saúde hoje no Brasil?
Vejo necessidade de ter a referência, a ética, a geração de confiança, a qualificação das pessoas, o treinamento continuado. A saúde do Brasil tem que ser melhor. Todos nós sabemos disso. Mas está nas nossas mãos fazer com que seja melhor. Cada um tem que fazer sua parte. A sustentabilidade das empresas, dos países, é relacionada ao gasto. Isso é muito importante. Até por isso houve a globalização, pela necessidade de um equilíbrio não só econômico, não só financeiro, não só humano. Tudo tem que estar bem entrosado. Notamos isso na Europa. É claro que ela começou pelo menos mil anos antes, somos um país novo, mas podemos melhorar, e muito. Já fazemos muito na saúde. O que é difícil fazer é o básico. Custa pouco e dá melhores resultados. Como a medicina preventiva. Para isso, temos que melhorar nossa infraestrutura, o número de casas com rede de esgoto é pequeno ainda, a qualidade da água não é boa para todos .