Início 2018

Membros Honorários

Carlos da Silva Lacaz

Nasceu em 19 de setembro de 1915, em Guaratinguetá (SP).

Filho de Rogério da Silva Lacaz, professor de matemática, de quem também foi aluno, e de Judith Limongi Lacaz.

Graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em 1940.

Pesquisador, professor, administrador, escritor, personalidade marcante pela cultura solidamente adquirida e pela sóbria eloquência sempre evidenciada, o professor Carlos da Silva Lacaz conduziu suas atividades profissionais no mais alto nível ético e científico, constituindo-se exemplo às jovens gerações médicas e afirmativa da nobre tradição que respalda a História da Medicina no Brasil.

Iniciou suas atividades docentes como Assistente, já no 1° ano seguinte à formatura. Galgou todos os postos da hierarquia universitária através de concursos de títulos e provas. Professor Catedrático de Microbiologia e Imunologia e Professor Titular do Departamento de Medicina Tropical e Dermatologia da FMUSP. Foi Diretor da Instituição de 1974 a 1978, reformulou o ensino e criou novas vagas para a carreira universitária, abrindo os horizontes para novos docentes, entre os quais dezessete novas posições de Professor Titular, uma das quais destinada à Neurologia. Criou o Museu da FMUSP (atualmente Museu Carlos da Silva Lacaz), do qual foi Diretor Vitalício. Deu foro ao tombamento da Casa de Arnaldo, gigantesca tarefa que concluiu enquanto a dirigia. Definiu e regulamentou os Laboratórios de Investigação Médica (LIM) do Hospital das Clínicas da FMUSP, com os quais procurou-se dotar a instituição de um liame com a pesquisa médica básica, já que destas fora privada a escola pelo novo estatuto da Universidade de São Paulo.

Foi Secretário de Higiene e Saúde da Prefeitura de São Paulo e membro de dezenas de Sociedades Científicas nacionais e estrangeiras. Foi presidente da Academia de Medicina de São Paulo; da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical; Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia, Sociedade Brasileira de História da Medicina e o 3º Presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.

Auxiliou na criação da Faculdade de Medicina de Sorocaba da PUC-SP; da Faculdade de Medicina de Jundiaí e da Faculdade de Medicina de Campinas, sendo, nas duas primeiras, Professor Titular do Departamento de Microbiologia e Imunologia.

Escritor e historiador da Medicina, tem em seu acervo cerca de 37 livros publicados, vários dos quais revivendo a memória das ilustres personalidades que engrandeceram a História da Medicina Brasileira. Participou de congressos, desenvolveu ininterrupta atividade didática através de inúmeros cursos, palestras e conferências realizadas, além das atividades curriculares diurnas. Pesquisador incansável, publicou mais de trezentos trabalhos científicos.

Recebeu diversos prêmios, podendo-se destacar os prêmios Domingos Niobey (1951) e Alfred Jurzykowski (1968), pela Academia Nacional de Medicina.

Sua aposentadoria ocorreu, por força de lei, em 1985, mas o Acadêmico continuou até o último de seus dias na Faculdade de Medicina da USP, nela desenvolvendo sua pesquisa científica e a ela dando o brilho de sua mente e o melhor do seu desempenho humano.

Teve seu nome expresso na denominação Lacazia loboi, como proposta à comunidade científica internacional para um novo gênero de fungo como agente etiológico da doença de Jorge Lobo.

Na ocasião de sua candidatura a Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, apresentou memória intitulada ”Infecções por Agentes Oportunistas. Casuística Pessoal”.

Faleceu em 23 de abril de 2002.

Fonte: texto do site da Academia Nacional de Medicina

http://www.anm.org.br/conteudo_view.asp?id=248&descricao=Carlos+da+Silva+Lacaz

José Salvador Silva

13 lições que o Hospital Mater Dei, nossos pacientes e nossos funcionários me ensinaram

Confira o texto escrito por José Salvador Silva, fundador do Hospital e presidente do Conselho de Administração da Rede Mater Dei de Saúde. O texto foi veiculado na Revista Matéria Prima, de Janeiro de 2018 (Número 97 | Ano IX).

“Quero confessar a minha grande emoção, em 17 de outubro do ano passado, ao ser agraciado com a comenda da Ordem de Mérito Empresarial Juscelino Kubistchek, a maior condecoração concedida pela Associação Comercial de Minas. Em minha fala de agradecimento, entre outros temas, enumerei os principais ensinamentos que a vida me proporcionou ao longo dos quase 40 anos como fundador do Hospital Mater Dei.

São os seguintes:
1º – Produtividade, inovação e superação são estímulos para o sucesso.

2º – Histórias de sucesso inspiram e estimulam. Histórias de fracasso ensinam.

3º – Nenhuma empresa deve ser somente um local de trabalho insensível, frio, mas uma extensão social, cultural e familiar. Deve ser um veículo para estimular seus participantes a evoluírem, crescerem e se realizarem como seres humanos. Uma empresa não é somente o prédio que abriga sua sede, sua logomarca, seu patrimônio tangível, sua tradição ou ações na Bolsa. Empresa modelo é também e, principalmente, um conjunto de pessoas, desejos, ideais, sonhos e metas. Crendo e praticando isso, criaremos um ambiente saudável, agradável, alegre estimulante e sustentável.

4º – A época mais perigosa e temerária de uma empresa é quando estamos acomodados e impassíveis, em consequência ou diante de viver uma boa situação financeira.

5º – A empresa que vai bem e tem bons resultados, sendo duradoura, é aquela que suspeita que poderia ir mal. É a que percebe que corre riscos diante da acomodação e busca melhorias contínuas para evitar a decadência e o fracasso.

6º – Charles Darwin descobriu, comprovou e sentenciou: “não é o mais forte da espécie que sobrevive, nem o mais inteligente, mas, sobretudo, aquele mais flexível que responde melhor e se adapta melhor às mudanças. Repito: o mais flexível é o que sobrevive. Este conceito é atual, verdadeiro, válido também para as empresas.

7º – Se os líderes das organizações errarem ou fracassarem ao recrutar novos e bons profissionais, nenhuma estratégia, nem com a ajuda dos melhores consultores, poderá salvar a empresa da mediocridade e derrocada final. Ao contratar alguém, busque competência, integridade, inteligência, lealdade, energia, atitude, ética e paixão. Contrate valores, depois treine habilidades.

8º – Acrescente a tua sabedoria ao teu projeto de vida, que inclui uma semente de idealismo, sonho e um pouco de “loucura”. É necessário estar atento para compartilhar, nas empresas, nossos sonhos, metas, vitórias, mas também nossas falhas e fracassos. Segundo Luciano de Crescenso, “somos todos anjos com uma só asa e somente poderemos voar quando abraçados uns aos outros”. É nas crises, ameaças e dificuldades que estas máximas se tornam mais necessárias e carentes.

9º – A gestão profissional não é problema impossível de se solucionar. Podemos buscar e encontraremos certamente competência no mercado e nos head hunters. Entretanto, embora demorado, difícil e trabalhoso, é muito importante descobrir, formar e desenvolver novos talentos, lideranças e competências dentro das próprias empresas e famílias.

10º – Todos os pais enviam seus filhos para as escolas. Todos. Mas poucos ensinam seus filhos a trabalhar. Minha esposa Norma e eu pertencemos a essa minoria.

11º – No Mater Dei, a sucessão da primeira para a segunda geração foi feita de maneira previsível, preventiva, programada, harmônica e ética, a partir de aprendizado e longa convivência entre mim – que sou o fundador- e os nossos três filhos que fizeram a opção livre e espontânea de atuar no Mater Dei: Henrique, Maria Norma e Márcia e que assumiram posteriormente a direção no dia 30 de abril de 2012. Parabenizo a todos eles pela competência, atitude, integridade, ética, dedicação, trabalho e sucesso comprovados neste período. Ouso afirmar que, dificilmente outros desenvolveriam melhor trabalho. Neste momento é necessário relembrar uma dramática estatística: somente 10% de todas as empresas, principalmente as familiares, sobrevivem à terceira geração; 90% destas entram em declínio, fracassam, entram em falência, desaparecem. Esta estatística, repito, é dramática, verdadeira, comovente e dolorosa.

12º – Nosso processo sucessório para a terceira geração foi realizada com o auxílio da Fundação Dom Cabral e da professora Elismar Álvares, indicada na época pelo prof. Emerson de Almeida, então presidente da FDC. Feito no momento certo e com o devido registro em cartório em 1998 é exemplo de planejamento adequado, com êxito e serve como atestado de que o desejável e o necessário é também possível de ser realizado e com novas estratégias. Nosso neto José Henrique, filho do Henrique e Nora, que atua com muito sucesso e competência como diretor operacional na Unidade Contorno, fez MBA na Universidade de Columbia, em Nova York durante dois anos. Felipe, filho da Maria Norma e Afonso; Renata, filha do Renato e Tânia, fazem, atualmente MBA, respectivamente em Londres e Boston. Lara, filha da Márcia e Flávio, estuda medicina e vai futuramente seguir a mesma estratégia: planeja fazer MBA na Universidade de Harvard.

13º – São admiráveis os dirigentes de empresas que possuem sabedoria e humildade para se relacionar bem e de forma humanizada e holística com todos – clientes e funcionários. Eles servirão de exemplo nas suas empresas. São pessoas que escutam e reconhecem o valor do trabalho de cada um.

Para concluir, quero dividir com vocês alguma das minhas reflexões filosóficas: acredito que, na vida, o maior estímulo vem da própria jornada, sobretudo se ela tiver um sentido, um ideal e sem jamais se “apequenar”.

Creio que aprender a bem viver é necessário um privilégio e sabedoria. A morte é reflexo e consequência da vida vivida. Não nos tornamos outras pessoas no momento da nossa morte. Quem viveu bem, morre bem; quem viveu mal, morre mal.
Sempre preferi “ser velho” por menos tempo a “ser velho” antes de sê-lo. Acredito que “velho” é aquele que supõe saber tudo, mesmo quando ainda se é jovem.

Tenho mais medo da cegueira, que me impediria de ler, do que da morte. A leitura é uma necessidade vital e os benefícios são hoje cientificamente comprovados para o cérebro e para a vida como um todo. Amplia o conhecimento, amplia o horizonte. É tão importante quanto o ar que se respira, a água que se bebe e o alimento que sustenta o corpo.

Gosto muito de música clássica. Ouvimos música pra “nos encontrarmos” ou “nos perdermos”. A música serve como “analgésico emocional”, mas também entusiasma, emociona, estimula o amor, a saudade e a transcendência.

Considero o Mater Dei grande e pequeno. É grande para administrar, mas ainda é pequeno para atender a todos que necessitam e cuidados e de boa assistência médica. Daí a nossa opção pelo crescimento. Com o passar dos anos nos tornamos Rede Mater Dei de Saúde. A quarta unidade está sendo construída entre as cidades de Betim e Contagem. Estou certo de que várias outras unidades surgirão no futuro sempre – sempre, repito -, como resposta da diretoria para atender ás necessidade dos nossos clientes. Meus amigos: ter um ideal na vida é uma necessidade, mas também um privilégio. O ideal Mater Dei gera uma força e energia telúrica que parece nunca se esgotar. Esta força e energia telúrica estão impregnados na convicção e na crença dos enormes benefícios do exercício e da prática da medicina ética, altruísta e humana. Força e energia telúrica que contagiam os que trabalham no Mater Dei: médicos, profissionais de saúde e todos os colaboradores desde o mais humilde ao mais famoso e consagrado.
Força e energia telúrica que impulsionava Juscelino Kubitscheck. Daí toda a sua energia criativa e determinação quando em cinco anos de governo fez 50 anos de progresso. Força e energia telúrica que me mantém de pé, ativo, atuante e com fé e esperança no Brasil. Amor e entusiasmo no coração, mesmo após completar 86 anos de idade.

Então, para finalizar penso ser apropriada a pergunta: gente, valeu a pena? A resposta certa está mais uma vez no imortal Fernando Pessoa: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

José Salvador Silva

Sérgio Almeida de Oliveira

22/07/193508/03/2019

Entrevista do Acadêmico Sergio Almeida de Oliveira com o Dr. Dráuzio Varella:

https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/cirurgia-cardiovascular-2/

SÉRGIO ALMEIDA DE OLIVEIRA

Helio Begliomini, titular e emérito da cadeira no. 21 da Academia de Medicina de São Paulo.

Sérgio Almeida de Oliveira nasceu em 22 de julho de 1935, em Campanha
(MG). É filho de Zoroastro de Oliveira Filho, médico formado pela Faculdade de
Medicina e Cirurgia de São Paulo, em 1927, e de Maria da Conceição Almeida de
Oliveira.
Graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas
Gerais, em Belo Horizonte, em 1960. É casado com Maria de Fátima Praça de
Oliveira.
Dedicou-se à carreira universitária no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), sendo assistente de clínica
cirúrgica do professor Alípio Corrêa Netto2
, em 1965. Galgou todos os postos,
tornando-se doutor (1972) e livre-docente (1975) em cirurgia; professor adjunto (1980)
e professor associado (1986) do Departamento de Cardiopneumologia; e professor titular da disciplina de cirurgia torácica e cardiovascular (2000-2005). Em 2006
recebeu o título de professor emérito da FMUSP.
Sérgio Almeida de Oliveira foi também diretor científico do Instituto do
Coração do HC-FMUSP (2000-2005) e é cirurgião cardiovascular nos hospitais
Beneficência Portuguesa, Albert Einstein e Sírio-Libanês.
Assim se resume seu vasto curriculum vitae: Teve 622 trabalhos apresentados
em congressos no Brasil e 210 no exterior; proferiu 379 conferências e palestras no
Brasil e outras 137 no exterior; possui 325 artigos publicados no Brasil e 118 no
exterior; escreveu 89 capítulos em livros editados no Brasil e cinco outros no exterior;
e editou seis livros.
Sérgio Almeida de Oliveira é membro das seguintes entidades: Associação
Paulista de Medicina (APM, 1967); Associação Médica Brasileira (AMB, 1967);
Sociedade Brasileira de Cardiologia (titular, 1973); Sociedade de Cardiologia do
Estado de São Paulo (Socesp – membro fundador, 1976); American College of
Surgeons (Estados Unidos da América – EUA, fellow, 1976); Sociedade Brasileira de
Cirurgia Cardiovascular (membro fundador e titular, 1981); Academia de Medicina de
São Paulo3
(1982); Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (membro
fundador, 1986); International College of Surgeons (EUA, 1988); International
Society of Cardiothoracic Surgeons (Japão, 1992); International Society for Minimally
Invasive Cardiac Surgery, (EUA, 1998); e American Association for Thoracic Surgery
(EUA, 2002).
Sérgio Almeida de Oliveira é professor Ad Honoris da Facultad de Medicina
Universidad de La Republica (Uruguai, 1985) e membro honorário e correspondente
de inúmeras sociedades de cardiologia e de cirurgia cardíaca de países latinoamericanos.
Foi o primeiro presidente da Sociedad Latinoamericana de Cirugia
Cardiovascular y Toracica (SLCCT), fundada em Miami (EUA), em fevereiro de
2004.

Ênnio Leão

O Academico Ennio Leao possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (1955), doutorado em Ciencias da Saude pela Universidade Federal de Minas Gerais (1979) e residencia-medica pela Universidade Federal de Minas Gerais(1956). Atualmente é Nenhum da Universidade Federal de Minas Gerais e Nenhum da Revista Médica de Minas Gerais. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Saúde Materno-Infantil. Atuando principalmente nos seguintes temas:Pediatria, Especialização.

Fonte: Escavador.

Liberato João Affonso Di Dio

Em sessão solene, a Faculdade de Medicina prestou, no último dia 19, homenagem póstuma ao professor Liberato João Affonso Di Dio, um de seus mais ilustres docentes, falecido em julho deste ano, aos 82 anos. Na ocasião, foi inaugurado retrato do homenageado na sala que leva seu nome e onde ele ministrou sua primeira aula na Unidade.

A homenagem foi proposta pelo professor Ernesto Lentz, do departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina, ex-aluno de Em sessão solene, a Faculdade de Medicina prestou, no último dia 19, homenagem póstuma ao professor Liberato João Affonso Di Dio, um de seus mais ilustres docentes, falecido em julho deste ano, aos 82 anos. Na ocasião, foi inaugurado retrato do homenageado na sala que leva seu nome e onde ele ministrou sua primeira aula na Unidade.

A homenagem foi proposta pelo professor Ernesto Lentz, do departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina, ex-aluno de Di Dio, e pela professora Iracema Matilde Baccarini, presidente da Associação do Professor Sênior da Faculdade de Medicina, oradora oficial da solenidade.

Ex-catedrático de Anatomia da Faculdade de Medicina da UFMG e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Liberato Di Dio é considerado “o pai de todos os anatomistas que estão em exercício em nossa faculdade”, segundo definição do professor Ernesto Lentz. Nascido em São Paulo, Em sessão solene, a Faculdade de Medicina prestou, no último dia 19, homenagem póstuma ao professor Liberato João Affonso Di Dio, um de seus mais ilustres docentes, falecido em julho deste ano, aos 82 anos. Na ocasião, foi inaugurado retrato do homenageado na sala que leva seu nome e onde ele ministrou sua primeira aula na Unidade.

Ex-catedrático de Anatomia da Faculdade de Medicina da UFMG e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Liberato Di Dio é considerado “o pai de todos os anatomistas que estão em exercício em nossa faculdade”, segundo definição do professor Ernesto Lentz. Nascido em São Paulo, Di Dio mudou-se para Belo Horizonte em 1954, quando prestou concurso para a cadeira de anatomia da Faculdade de Medicina. “Ele tinha uma maneira diferente de ensinar, com grande ênfase na parte prática. Di Dio também impulsionou a atividade de pesquisa em anatomia, tendo orientado 27 teses durante os dez anos em que aqui lecionou”, assinala Ernesto Lentz.

Di Dio mudou-se depois para os Estados Unidos, onde foi professor da Universidade de Chicago e idealizador da Faculdade de Medicina de Toledo, em Ohio.

Fonte: Boletim da UFMG, 2004.
https://www.ufmg.br/boletim/bol1451/setima.shtml

Thomaz de Figueiredo Mendes

10/08/191101/05/1996

Nasceu em 10 de agosto de 1911, na cidade de Mutuca, atualmente Elói Mendes (MG).

Filho de José Benedito Mendes e Adélia de Figueiredo Mendes.

Ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil em 1931. Após aprovação no concurso e início dos estudos médicos, em 1931, o então universitário Figueiredo Mendes passou a trabalhar como redator no Diário Carioca. Nos anos seguintes, além de ganhar conhecimentos médicos, desenvolveu sua capacidade literária, tornando-se grande amante dos livros. Tal fato marcaria sua vida futura, ao despertar sua ainda desconhecida capacidade para elaboração de textos, principalmente médicos. Participou do programa de aperfeiçoamento profissional do Institute of Inter-American Affairs e do Curso de Gastroenterologia da Universidade da Pensilvânia, onde conheceu o Prof. Henry Bockus, que exerceu grande influência em sua vida profissional e pessoal.

Professor Titular de Clínica Propedêutica Médica da Faculdade Nacional de Medicina e de Gastroenterologia da Escola de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas. Foi Chefe do Departamento de Gastroenterologia da 4ª Cadeira de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil, Serviço do Professor Waldemar Berardinelli, onde permaneceu até 1955. Em 1956 foi nomeado Chefe de Clínica do Departamento de Gastroenterologia. Foi Professor também das faculdades de Medicina da Universidade Gama Filho e da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques. Trabalhou com o Professor Cruz Lima, na 7ª Enfermaria do Hospital Geral da Santa Casa do Rio de Janeiro até 1974, quando fundou o primeiro Serviço de Hepatologia do Brasil.

Em 15 de março de 1967, junto a Waldemar Podkameni e Jorge de Toledo (do Rio de Janeiro), José Fernandes Ponte e Luiz Caetano da Silva (de São Paulo) e Nereu de Almeida Júnior (de Minas Gerais) fundou a Sociedade Brasileira de Hepatologia, órgão máximo da Hepatologia no Brasil. O Acadêmico foi o primeiro Presidente da instituição.

A sua opção pela Hepatologia foi marcada, inicialmente, pelo interesse pela esquistossomose mansônica, doença que marcava profundamente o Brasil nos meados do século XX. Durante muitos anos divulgou o conhecimento brasileiro sobre a doença, possibilitando a troca de experiências com outras nações acometidas pelo mesmo problema e demonstrando a capacidade da hepatologia brasileira. Foi Assessor do Ministério da Saúde, em Esquistossomose e “Fellow” da Organização Mundial da Saúde para estudar o Problema da Esquistossomose Mansônica.

Foi Presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia e Membro de diversas Sociedades Científicas, nacionais e internacionais. Participando intensamente da vida científica do país, organizou congressos, jornadas, simpósios, publicou trabalhos e a publicação “Moderna Hepatologia”, única revista brasileira de Hepatologia, com 30 anos de circulação.

Na ocasião de sua candidatura a Membro Titular da Academia Nacional de Medicina, apresentou memória intitulada “A ‘Hepatite B’ depois do antígeno Austrália”.

Faleceu em 1º de maio de 1996.

Ernane Agrícola

Formou-se em Odontologia em 1912 e médico em 1919 pela Faculdade de Medicina de Belo Horizonte. É pioneiro no país na luta contra a hanseníase e participou da elaboração do Plano Nacional de Combate à Lepra em 1935. É considerado um dos maiores leprologistas do continente.
Foi homenageado com o nome do Centro Municipal de Saúde do bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Existe ainda uma rua Ernane Agrícola no bairro Buritis, na cidade de Belo Horizonte.

Luiz V. Décourt

07/12/191101/02/2007

Luiz V. Décourt, ícone do humanismo científico

O Prof. Dr. Luiz V. Décourt deixou-nos, aos 95 anos de idade, em Maio. Há 25 anos afastado da vida Acadêmica, por força da lei, deixa um vazio que não se preenche com facilidade. Este número de CLINICS é dedicado à sua memória. Aqui na velha Revista do HC que foi sua também, entendemos que sua memória será mais bem reverenciada pelo depoimento emocionado do ex-aluno, hoje docente ilustre, do que com a rememoração sistemática de todos os seus grandes feitos, de resto conhecidos de todos.

Entrei na casa de Arnaldo em 1965, como carinhosamente chamamos a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, inaugurada por Arnaldo Vieira de Carvalho. A Congregação era àquele tempo composta apenas dos Professores Catedráticos, por nós encarados com profundo respeito, às vezes excessivo, beirando a reverência. Éramos garotos idealistas, e neles não enxergávamos defeitos, apenas virtudes. Formei-me em 1970, tendo passado como aluno por todos eles, Odorico Machado de Sousa, Isaías Raw, Carlos da Silva Lacaz, Luiz V. Décourt, Euryclides de Jesus Zerbini, Eurico da Silva Bastos, Edmundo Vasconcelos, Antonio de Barros Ulhoa Cintra, Arrigo Raia, Emilio Mattar, Sebastião de Almeida Prado Sampaio, Flavio Pires de Camargo e outros, ícones de nossa Medicina. Logo, tornei-me residente e preceptor de Clínica Médica, e meu contato com o Prof. Décourt tornou-se diário, como integrante do grupo que o rodeava nas atividades acadêmicas. Mais tarde, assistente da 2ª Clínica Médica, nosso contato aumentou mais. Aos poucos, desfez-se a aura de Professor Catedrático, revelando-se para mim a imagem do homem. Não vivia apenas dentro da medicina, mas também para a Medicina, pertencia a um Universo que poucos atingem. Discutia-se ali História, Filosofia, Vinhos e Música, principalmente, Música. Mas Décourt foi sempre uma presença para poucos, pois sua vida social era restrita. Nunca foi homem da mídia, abominava o “marketing”, cresceu e fez-se grande pela via de silenciosa discrição. Foi raríssimo exemplo de reconhecimento sem precisar de força ou propaganda. Era simplesmente um humanista. Como Cícero, acreditava na consciência ética com que fomos dotados pela natureza, que gera a justiça autêntica e universal, baseada não no interesse próprio, de pessoas ou de povos. Atitude talvez utópica, mas certamente exemplar. Com o tempo, muitos dos outros ídolos caíram, vítimas da soberba, da vaidade, da mesquinharia, do interesse próprio, dos jogos políticos rasteiros. Décourt, o sábio, era humilde e a Academia nunca foi para ele um meio, mas sim um fim. Nunca a usou para ganho próprio, tendo sempre vivido de forma simples. Sua imagem cresceu ininterrupta, natural e espontânea. Era autoridade pela força da pessoa, e não do cargo. Não conheço alguém que tenha feito mais discípulos do que ele. Muitos podem ter se perdido no caminho, mas a maioria permaneceu fiel aos ideais do mestre, perpetuando aquela forma determinada de consciência. Essa é a mais nobre das heranças humanas: cultural, moral e ética. Como Francisco de Assis, viveu a serviço da dignidade humana. Como Tomas de Aquino, jamais esqueceu a necessidade de respeitar a tradição construtiva. Com os exemplos que hoje nos rodeiam, onde mais vale a forma que o conteúdo, ele estaria fora da moda. Seu perfil, porém, independe de moda, pois, clássico que é, será sempre atual. Deixou-nos numa época em que a educação e a saúde tornaram-se simples mercadorias, que existem apenas em função de sua capacidade de gerar lucros materiais. Mas seguia Rousseau, em seu pensamento de que “o forte nunca é bastante forte para permanecer sempre no poder, se não transforma sua força em direito”. Direito de todos e para todos. Sabia ouvir, mas era cerebralmente intolerante com a intolerância alheia. Outros tiveram poder para modificar, fazer evoluir, construir de forma desinteressada, mas decepcionaram.

Décourt sempre soube que a verdadeira educação é de cunho moral, e não técnica. Construiu um paradigma de caráter, construindo alunos, médicos, ciência, cultura. A Segunda Clínica Médica, da qual muito se orgulhava, foi sua herança, da qual também nos orgulhamos. Costumava dizer que havia uma “mística” nessa Clínica, demonstrando apego e paixão pelo ambiente de trabalho, onde reuniu e agregou um enorme número de profissionais altamente produtivos, plantando as sementes do que viria a ser o Instituto do Coração, do qual foi o primeiro Diretor Científico, em integração com Zerbini, o primeiro Diretor.

E o médico Décourt quem era afinal? Na verdade, nada mais que um clínico com impressionante visão geral. Nada menos que o hoje mais nos falta, o clínico de família, o conselheiro médico, o “amigo”. Como dizia Agostinho, “aquele com que se pode compartilhar os segredos do coração”. Aliava a ciência à arte do contato humano. Seus discípulos se recordam muito bem de suas exigências quanto ao respeito aos pacientes, àqueles que sofrem. Exigia informações completas, antes de recorrer às técnicas de laboratório.

Morreu materialmente pobre, mas deixa-nos lições que fazem parte dos alicerces da vida. Sua missão está cumprida, e seguramente descansa em paz. O que mais poderia alguém desejar? Com Sófocles, podemos filosofar que de ninguém deve dizer-se que é feliz antes que se tenha completado os dias de sua existência mortal. Luiz Décourt é um desses imortais raros.

Charles Mady,

Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1807-59322007000400001