Início 2018

Membros Honorários

Mário Osvaldo Vrandecic Peredo

Médico formado em julho de 1965 pela Faculdade de Medicina da UFMG, com especialização na América do Norte onde, durante 12 (doze) anos consecutivos, obteve o titulo de Cirurgião Cardiovascular e Torácico, atuando em renomadas instituições que incluem a Cleveland Clinic, Henrry Ford Hospital, Mount Sinai School of Medicine, Harvard University-Boston Children Hospital. Essa experiência profissional, além do conhecimento e da capacitação técnica, rendeu a Mario Vrandecic o contato com pesquisas em tecidos biológicos, sendo determinante na formação da sua visão como pesquisador de produtos cardiovasculares, com inúmeros estudos e várias patentes registradas, das quais se destaca a bioprótese cardíaca porcina, feita em Belo Horizonte, Brasil, em uso clínico desde 1980, que, hoje, é o único produto ou substituto valvar implantável fabricado fora do território norte-americano aprovado pelo FDA e utilizado nos Estados Unidos. É autor de publicações diversas na sua especialidade cirúrgica, divulgadas no Brasil e no exterior, e Membro titular de associações nacionais e internacionais. Como idealizador e empreendedor, fundou o Biocor Instituto, Hospital Geral de alta complexidade, situado em Nova Lima, MG, do qual é o Diretor Geral, destacando-se como incentivador da gestão por resultados, integrada e informatizada, com foco no atendimento humanizado e na melhoria contínua, destacando-se, ainda, por suas práticas de responsabilidade social e meio ambiente.

Fonte: Escavador

ENTREVISTA À REVISTA “VIVER BRASIL” à jornalista Luisana Gontijo, em 16/01/2015:

“Sou bem mais brasileiro do que você, porque você só nasceu aqui e eu escolhi viver aqui. E escolhi lá de cima, de 3 mil metros de altura, uma cidadezinha parecida com aquela em que eu morava, Cochabamba, na Bolívia, que tem um perfil montanhoso muito semelhante ao de Belo Horizonte. A partir daí, desde 20 de dezembro de 1959, quando cheguei, me encantei”, diz o cardiologista Mario Vrandecic, para explicar seu amor pela capital mineira. Foi na cidade que ele estudou medicina, na UFMG, se casou e teve 2 filhos, que seguiram seus passos na profissão. Entre as várias coisas que impressionam no doutor Mario, como é chamado pelos corredores do Biocor, é a vitalidade, a pressa com que caminha, cumprimentando todos que encontra, e o amor pela própria vida e pela das outras pessoas. “Gosto de estar vivo. Gosto de mim. Porque só assim posso gostar do outro. O carinho, para mim, é uma coisa fundamental. A gente está aqui para conseguir a confiança do outro. Porque, se a gente consegue a confiança do outro, estamos realizados internamente”, ensina. No entanto, ele acha que a falta de referência, de confiança, leva as pessoas ao caos.

Como se consegue a confiança do outro?
Ela não vem por acaso. Tem que ser trabalhada. Aprendi desde cedo que trabalhar em equipe não pode ser opção. Tem que ser obrigação. Porque o risco e tudo o que acontece somos nós que fazemos. O risco não vem por acaso, 98% são gerados pela pessoa. Então, esses riscos precisam ser gerenciados pela própria pessoa. E, é claro, isso a gente aprende em casa, escuta na faculdade, aprimora durante a vida profissional. Com certeza, nunca completa o ciclo. Sempre fica faltando alguma coisa, porque nós não podemos falar que sabemos tudo. Nem que conseguimos tudo, porque estamos sempre começando. Esse é o espírito que tenho dentro de mim. Essa é a formação que tive. Não só dos meus pais, mas, certamente, dos meus professores.

O senhor veio para o Brasil com quantos anos?
Eu vim muito novo. Só para dar uma ideia, na escola de medicina, fui o mais novo da minha turma, me formei com 21 anos. E aí, aprendi muito, porque, quanto mais novo você é, aprende mais.

E o surgimento do Biocor veio logo depois da sua formatura?
Na verdade, fui eu que fundei o Biocor Instituto. Eu estudei medicina em Belo Horizonte e, logo depois da formatura, fui para os Estados Unidos, onde fiz curso de pós-graduação de 12 anos. Passei por anatomia patológica e cirurgias geral, vascular, cardíaca, de adulto, primeiro, e, em seguida, de crianças. Depois da volta dos Estados Unidos, por todo lugar em que eu ia, não conseguia fazer aquilo que queria fazer. Aí, surgiu a ideia de criar o Biocor Instituto. Para isso, precisava de dinheiro. Eu tive a sorte de ter bons professores e a gente fez muitas pesquisas sobre tecidos biológicos. E, como cirurgião cardiovascular que sou, tinha muita dificuldade de encontrar substitutos de válvula cardíaca e arteriais de toda natureza para corrigir as patologias dos nossos pacientes. O que tinha era muito caro. Aí, então, comecei a fazer essa pesquisa, que demorou algum tempo, e a gente desenvolveu 16 patentes. Eventualmente, depois de patenteá-las, iniciamos a parte de manufatura, propriamente dita, e em seguida a de vendas. E isso gerou dinheiro com o qual eu iniciei o Biocor, para fazer aquilo que era meu sonho: cuidar da população.

O Biocor, então, nasceu de um sonho?
Exatamente. Primeiro, de um sonho de realizar aquilo em que acredito: que temos de gostar da gente antes de tudo para poder gostar dos outros. Porque não tem jeito de você dar o que não tem. Se tem carinho dentro de você, vai dar carinho aos outros. É isso que é medicina, é essencialmente humana. Parece redundante a gente falar isso, mas, pensando bem, hoje tem sido dito que a medicina precisa ser humanizada. Nós somos humanos. Ela é para as pessoas. E só acontece quando há esse carinho. Às vezes, você vai a uma repartição pública e vê que a pessoa não gosta do que faz. Não enxerga você. Em uma instituição hospitalar, isso não pode acontecer. É aí que surgem erros. A pessoa tem que ser vista como se fosse você, que a está atendendo. Então, na hora em que vai colher um acesso, usando agulha, você tem que sentir a dor da pessoa. Essa é a filosofia. Nós construímos o Biocor dentro dessa filosofia e, para manter isso, a gente precisa de pessoas. Graças a Deus, contamos, desde o início, com um grupo de residentes para os quais ensinamos o que aprendemos e passaram a ficar conosco. Chegaram outros residentes e assim se formou um corpo clínico bastante homogêneo.

Como era a estrutura inicial?
Começamos com 80 leitos, depois, passamos para 150 e hoje temos 320. É uma instituição focada nas doenças de alta complexidade, multidisciplinar. E isso foi feito a pedido da comunidade. Foi ela que exigiu isso. E para que atendêssemos a essa demanda, crescemos nas especialidades, que hoje são 45. A única que não temos totalmente desenvolvida é a obstetrícia, porque é um departamento separado, uma filosofia diferente. Porém fazemos obstetrícia em pacientes com doenças cardíacas. Somos referência nacional e internacional nesse aspecto. Fazemos cerca de 700 cirurgias por ano em crianças com até 3 meses de idade.

Como manter o equilíbrio financeiro de um hospital do porte do Biocor?
Não é diferente de qualquer empresa. Administrar nada mais é do que atingir as metas previamente definidas. Para isso, é preciso um planejamento adequado. É a partir daí que as ações, também claras e bem definidas, e as pessoas – da alta direção ao operacional –, para empregar esse planejamento, se encaixam. Sempre conversando entre todos, para que se veja quais são as necessidades fundamentais.

O hospital tem quantos funcionários?
Somos 1.350. Um hospital sempre tem um número maior de trabalhadores, porque funciona 24 horas, 7 dias por semana, 365 dias por ano. O número de médicos, autônomos, que compõem o corpo clínico está em torno de 400. Isso sempre oscila um pouco. Somos um relógio de mais 1,7 mil peças, que, para funcionar, tem que haver harmonia, sintonia e todos têm que conhecer a meta, senão, os resultados são muito desiguais.

Há algum investimento especial na formação desses profissionais?
Nós temos relacionamento grande com o Monte Sinai, uma escola de medicina em Nova Iorque e também com a universidade de lá. Neste ano, logo depois do Carnaval, uma médica muito competente, de cuidados intensivos, virá e ficará conosco durante 1 semana, para comparar resultados, ver como é que está sendo feito. Isso aqui é uma prática comum. Muitas vezes, um colega nosso, mais jovem, vai para lá e fica 2, 3 meses, dependendo da necessidade de aprendizado. Vamos também para a Europa e leste dos Estados Unidos, como Boston. Essa troca de informação acontece de uma forma natural na medicina e isso é muito salutar. No Biocor Instituto, nestes 30 anos, pelo menos 500 pessoas, na especialidade cardiológica, de cirurgia cardíaca, vieram ficar uma semana conosco.

Como é feito esse estudo?
Desde o início, definimos a segunda-feira como o dia mais importante da semana. É quando escolhemos os pacientes mais críticos, que poderão ser operados ou precisarão de tratamento mais complexo. Nos reunimos, vemos os prós e contras, conversamos com as famílias, consideramos a possibilidade de uma segunda, terceira ou quantas opiniões forem necessárias. Assim, a primeira parte da reunião é dedicada a apontar que pacientes se encontram em situação mais crítica. A segunda parte é a análise dos óbitos, feita de forma muito pontual, pelas pessoas que participaram do processo. Com isso aprendemos, crescemos. E a terceira parte da reunião é escolher um tema no qual nossos resultados não estão bons e apontar uma pessoa, previamente, para que possa atualizar a literatura nesse tema.

Como é que o senhor define o Biocor Instituto hoje, aos 30 anos de existência?
O Biocor é uma instituição de referência em alta complexidade, que tem como fundamento o acolhimento e o amor para cada uma dessas pessoas que aqui chegam. Isso podemos verificar por meio das visitas diárias que faço a todos os pacientes. Desse modo, tenho uma ideia do que preciso atualizar. O objetivo é, primeiro, ver como o paciente está. Segundo, é conversar com a família. Nós temos um sistema que me permite acessar do celular todas as informações sobre os pacientes e sobre o hospital, inclusive da parte econômica. Temos 12 salas de cirurgia, 3 salas de hemodinâmica, somos o benchmarking internacional no tratamento do infarto agudo do miocárdio. O paciente chega à internação com queixa de isquemia miocárdica e, a partir daí, até que essa artéria seja aberta, levam 56 minutos. A média, em outras instituições, é 120. Fazemos em menos da metade do tempo, o que permite que o tamanho do infarto seja bem menor.

Isso significa que o senhor trabalha 24 horas por dia?
É. Isso é a minha vida. Eu sou feliz assim. E eu consegui conquistar isso com minha família. Minha esposa sempre esteve do meu lado. Ela nos ajuda na parte econômica da instituição. Meu filho é cirurgião cardíaco, como eu. Minha filha é cardiologista.

Há algum novo investimento?
Eles nunca param. Temos 35 mil metros quadrados de área construída. Acabamos de conseguir aumento de 120 suítes, remodelamos todas as instalações. Vamos aumentar 4 salas de cirurgia, de imediato. Estamos construindo, em 5 mil metros quadrados, um centro oncológico para a região, que é carente. Isso foi feito a pedido dos pacientes. Temos equipamentos como tomografia de última geração, ressonância magnética que só falta falar, que chegará ao hospital logo depois do Carnaval. Temos tudo o que é necessário para que a pessoa seja atendida em tempo real, sem precisar sair da instituição.

O que o senhor acha que leva a tanta denúncia de problemas na área de saúde no Brasil?
Um país só progride quando a educação e a saúde estão bem sintonizados. Sem isso, não tem como. E essa sintonia é fundamental para que as pessoas tenham referência, que vem daquele bom dia que a gente dá. Posso, por exemplo, citar aquilo que a civilização Quechua (povos sul-americanos) expressa no bom dia. Eles falam assim, olhando no olho: não seja preguiçoso, não seja mentiroso, não seja ladrão. Eu não sei por que não implantamos isso aqui. Se fizéssemos isso, imagina como seria o Brasil? Ninguém segurava. Então, educação e cultura permitem que a gente goste de nós para poder gostar do outro. Se não existe referência, tudo é possível, em todas as esferas, seja na advocacia, na engenharia, na medicina. Precisamos é canalizar e fazer uma boa gestão. Um exemplo bem claro é a Coreia do Sul. Tive oportunidade de estar lá, há muito tempo. Vi um país paupérrimo, uma coisa terrível. Voltei lá mais de uma vez. E, hoje, mais de 90% da população passam 19 anos estudando. Aqui, no Brasil, nem sabemos qual é o número de anos de estudo. Essa parte é produto da falta de referência, que começa em casa. É respeito, amor, carinho. Tem gente que fala ética. Na minha opinião, ética nada mais é do que fazer para o outro o que gostaria que façam para mim. Estamos aqui para gerar confiança. O contrário é caos. Nós estamos vivendo um caos ético, por falta de referência. Nós temos que resolver esse problema primeiro. A partir daí, vamos ver que a infraestrutura é fundamental em qualquer país e ela tem que crescer, com medicina preventiva, geração de educação, de saúde melhor.

Que panorama o senhor faz da saúde hoje no Brasil?
Vejo necessidade de ter a referência, a ética, a geração de confiança, a qualificação das pessoas, o treinamento continuado. A saúde do Brasil tem que ser melhor. Todos nós sabemos disso. Mas está nas nossas mãos fazer com que seja melhor. Cada um tem que fazer sua parte. A sustentabilidade das empresas, dos países, é relacionada ao gasto. Isso é muito importante. Até por isso houve a globalização, pela necessidade de um equilíbrio não só econômico, não só financeiro, não só humano. Tudo tem que estar bem entrosado. Notamos isso na Europa. É claro que ela começou pelo menos mil anos antes, somos um país novo, mas podemos melhorar, e muito. Já fazemos muito na saúde. O que é difícil fazer é o básico. Custa pouco e dá melhores resultados. Como a medicina preventiva. Para isso, temos que melhorar nossa infraestrutura, o número de casas com rede de esgoto é pequeno ainda, a qualidade da água não é boa para todos .

Fritz Köberle

Fritz Köberle nasceu em 1 de outubro de 1910 em Eishgraben, na Áustria. Formou-se na cidade de Viena e se doutorou em 1934.

Em 1932, ainda acadêmico, iniciou na Patologia na Policlínica de Viena.
Em 1943, foi transferido para a Universidade de Münster, como Livre-Docente. Dirigiu o Instituto Patológico Bacteriológico e Sorológico de St. Polten (Baixa Áustria), acumulando as funções de Perito Permanente de Medicina Legal e posteriormente a de Legista Chefe do Serviço Médico Legal e Perito-Médico da Rota Romana.

Transferiu-se para o Brasil para organizar o Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, em 1953. Dirigiu este departamento até o ano de sua aposentadoria, em 1976.

Henri Sarles (França)

Henri Sarles est né en 1922 à Ermont (Val-d’Oise). Il a mené ses études secondaires au lycée Périer à Marseille et ses études supérieures aux facultés des sciences et de médecine de Marseille.

Externe, puis interne (1946) des hôpitaux de Marseille.
Chef de clinique, maître de conférence.
Docteur en médecine de la faculté de médecine de Marseille (1950).
Médecin des hôpitaux (1955).
Doctorat d’État ès science de la faculté des sciences de Marseille. Thèse sur les phosphatases alcalines, dirigée par le professeur Desnuelle (1954).
Intéressé par la recherche en biochimie, Henri Sarles travaille dans le laboratoire de Jean Roche, professeur au Collège de France, à Paris (1948-1957), menant de front recherche et activités cliniques.
Chef du service de gastroentérologie à l’hôpital Sainte-Marguerite, à Marseille (1959-1992).
Directeur de l’unité de recherche Inserm 31 “Pathologie digestive” dans le même hôpital (1962-1984). André Gérolami lui succèdera en 1989.
Henri Sarles est décédé le 16 février 2017 à Marseille.

Fonte: site do INSERM – Historia do INSERM

https://histoire.inserm.fr/les-femmes-et-les-hommes/henri-sarles/(page)/2

Navantino Alves

26/04/189901/02/2002

Navantino Alves nasceu em Andrelândia, no Sul de Minas, em 26 de abril de 1899, sendo filho de José Bernardino Alves e de Marianna Ilídia Alves. Casou-se com Elvira Veiga Sales Alves, nascida em Nepomuceno, com quem teve três filhos, sendo dois médicos pediatras – José Mariano e Navantino Filho. Segundo o historiador da Medicina, João Amílcar Salgado, a passagem de meu patrono Navantino Alves por Nepomuceno – após formar-se no Rio em 1924, pela Faculdade Nacional de Medicina – não apenas o fez nepomucenense adotivo, graças ao matrimônio feliz, mas propiciou-lhe uma espécie de pós-graduação rural assinalada na biografia de grandes médicos do mundo inteiro, como Eduardo Jenner, Roberto Koch, Vital Brasil, Guimarães Rosa e René Favaloro. E esse estágio foi-lhe tão marcante que o registrou no seu livro Páginas de recordações de um médico. Nele, o autor fez observações, hoje de precioso significado, que só mesmo a condição de excelente clínico que era poderia facultar-lhe. Em sua infância assinalou a profusão de andorinhas em Andrelândia, escasseadas com o passar do tempo. Registrou o protesto do velho Preto Mina, inconformado com a procissão de São Benedito, que levava a imagem do santo etíope da igreja dos escravos à matriz dos brancos.
Apoiado em rude bengala, lá ia ele a murmurar doce repreensão: num tem vergõia San Binidito, de i ôtra veis prá igreja dos branco? Ainda conforme o historiador João Amílcar, de particular interesse histórico, foi quando, montado em sua besta Baia, Navantino chegou a uma fazenda bem distante, no município de Nepomuceno, e ali percebeu toda a família do fazendeiro vítima de hanseníase. Em recente estudo que fiz sobre a epidemia desta doença, ora ainda em curso e que teve o epicentro em Poços de Caldas, na segunda metade do século 19, citei a descrição de Alves como eloqüente testemunho. Outro seu relato documental, muito expressivo, se refere à malária endêmica na bacia do Rio Grande, depois brilhantemente debelada, a partir do governo Milton Campos. Após sua curta clínica rural em Nepomuceno, Navantino Alves foi para Juiz de Fora. As ligações entre essas duas cidades, na década de 20 do século passado, eram estreitas, seja pela nova comunicação ferroviária, seja decorrente da segurança proporcionada à elite nepomucenense pelo cirurgião Hermenegildo Vilaça. Sua esposa, Olívia Ribeiro de Oliveira, era parente dos Ribeiro de Oliveira, de Nepomuceno, inclusive de Elvira Veiga Sales. Vilaça hoje é considerado o primeiro cirurgião moderno nativo de Minas, ao lado de dois mineiros adotivos: Borges da Costa e Afonso Pavie. As cirurgias nessa época implicavam riscos do clorofórmio e da imperícia operatória. Daí que, diante de toda intervenção que exigisse anestesia geral, os parentes preferiam garantir-se com o consagrado pioneiro. Por tais laços, Navantino Alves teve a oportunidade de clinicar sob o avançado ambiente da medicina juiz-forana, moldada, na própria cidade ou desde o Rio, por notáveis como João Penido, Eduardo de Menezes, José Nava (pai de Pedro Nava), Martinho da Rocha e Antônio da Silva Melo. Martinho da Rocha, com quem também trabalhou o meu patrono, fez importante ligação entre a pediatria brasileira e a alemã, e sabe-se que ambos faziam serões de leitura da pediatria em livros franceses e alemães, discutindo e digerindo os ensinamentos de Heinrich Finkelstein, Adalbert Czerny, Antonin Bernard Marfan, F. Nassau entre outros.
O papel de Martinho da Rocha no Brasil foi análogo ao exercido nos Estados Unidos da América (EUA) pelo grande pediatra alemão Abraão Jacobi. A pediatria brasileira já era ilustre graças a Francisco de Melo Franco e aos Moncorvo, pai e filho. Mas foram os mineiros Martinho da Rocha e Silva Melo que fizeram o nexo imediato entre a Universidade de Berlim, em seu esplendor científico, e a medicina brasileira (Martinho, na Pediatria, e Melo, na Clínica Médica e na Gastroenterologia). Em Belo Horizonte, havia poucos seguidores da medicina germânica, principalmente na Faculdade de Medicina, com Melo Teixeira (depois acolitado por João da Costa Chiabi) e Navantino Alves, que chegou para reforçar esta linha. Observe-se que Teixeira foi paraninfo de Kubitschek, Pedro Sales e Pedro Nava, em 1927. Na verdade, Navantino Alves se dedicou à Pediatria exclusiva desde sua graduação, trabalhando ainda como estudante com o famoso pediatra Calazans Luz nos ambulatórios e enfermarias de crianças do Hospital São Zacharias da Santa Casa do Rio de Janeiro. Ali também criou e manteve por alguns anos a revista Escola Médica e se entusiasmou com essa modernidade pediátrica ao viver em Juiz de Fora, onde fundou, com o obstetra Dirceu Andrade, a Maternidade Terezinha de Jesus, anexa à Santa Casa de Juiz de Fora. Anos depois trouxe essa capacidade empreendedora, de fonte direta, para a Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, em 1928. Na Capital ele iria desempenhar papel todo especial na atenção à criança mineira, sendo considerado o primeiro a exercer a Pediatria exclusiva na cidade. A Santa Casa vivia sob a égide do germanófilo Hugo Werneck, que não só a estruturou em moldes modernos, bastante diferentes das santas casas de tradição lusa, como trouxe, em 1909, irmãs-enfermeiras da Alemanha, da Congregação Servas do Espírito Santo. Por outro lado, a acolhida a Navantino Alves estava facilitada por duas circunstâncias: o hospital vinha contando com o apoio filantrópico da família Veiga (a fazenda Taquaril, dos Veiga, descia a fralda da Serra do Curral e cobria parte do bairro Santa Efigênia), enquanto o farmacêutico e médico Joaquim de Santa Cecília, outro integrante da família, havia cuidado de sua farmácia e depois criado seu Serviço de Olhos Santa Cecília, também passara por Nepomuceno e ali se casara com Lazarina Veiga, tia de Elvira Veiga Sales Alves. Navantino Alves, desde Juiz de Fora, entregou-se com o entusiasmo de um bandeirante, ao árduo trabalho de devassar os horizontes virgens da saúde infantil. Criou o Serviço de Crianças da Santa Casa de Belo Horizonte, depois o Hospital de Criança Elvira Gomes Nogueira (mais tarde o primeiro prédio da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais), o Instituto Mineiro de Combate à Desnutrição Materno-Infantil, a cadeira de Enfermagem Pediátrica da Escola de Enfermagem Hugo Werneck, a cátedra de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas e a desativada Fundação Navantino Alves (com seu Banco de Leite Humano), sendo também co-fundador do Hospital São José e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Interessante lembrar que o Hospital de Crianças Elvira Gomes Nogueira, com três andares e 120 leitos de enfermaria, fechou um quarteirão de rua próxima à Santa Casa, foi o primeiro hospital pediátrico de Minas Gerais, construído com a doação de um tostão de cada entrada dos sete cinemas da empresa Agenor Gomes Nogueira, num total de 360 contos de reis e teve o nome da esposa de seu patrocinador. Além do livro já referido, publicou Manual de Dietética na Patologia Infantil e Ligeira Visão da História da Pediatria. Venceu a livre-docência em Pediatria, na Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais, hoje Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com a tese Estudo Clínico da Pseudo-Paralisia sifilítica – Doença de Parrot, bem como exerceu importante liderança em entidades médicas, sempre ligadas à Pediatria. Em uma espécie de homenagem ao pai, além do periódico Escola Médica, manteve em Belo Horizonte por anos, a publicação trimestral Análise de Nutrição MaternoInfantil, onde resumia artigos de revistas nacionais e estrangeiras, sobre o assunto, por ele pesquisados e resumidos nos fins de semana na Biblioteca Baeta Vianna. Merece realce especial sua atuação diária e por maior tempo que qualquer outro líder da medicina mineira na formação de discípulos, inclusive de seus próprios filhos e neto, ilustres Livros dos Patronos Navantino Alves Navantino Alves Livros dos Patronos 26 Livros dos Patronos Navantino Alves Navantino Alves Livros dos Patronos 27 seguidores do pai e avô. Com ele se formaram Olavo Lustosa, Francisco Souza Lima, Abrahão Salomão, Maria Eulália Ramos, Clodoveu de Oliveira, José Maria Mares Guia, Antônio Malheiros Fiúza, José de Oliveira Lima, Berardo Nunan, Olavo de Resende Barros, Veiga Sales, Álvaro Guerra, entre outros. Em verdade, Navantino Alves, ao encerrar sua vida centenária, com 103 anos de lucidez invejável, mereceu ser proclamado de pai a tetravô da maioria dos membros da eminente comunidade pediátrica mineira. Seus filhos, José Mariano e Navantino Alves Filho, são docentes de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, sendo Navantino o atual professor titular e um dos dez fundadores da Academia Mineira de Pediatria.

Clarindo Eslebão de Cerqueira Acadêmico da AMP – Cadeira Nº 5

Fonte: Site da Academia Mineira de Pediatria

Homero Gusmão de Almeida

Submeteu-se ao Vestibular de Medicina, em 1966, obteve a vigésima quarta colocação na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e a septuagésima classificação na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, diplomando-se em Medicina, na UFMG, em 8 de dezembro de 1970, em décimo terceiro lugar, entre cento e sessenta e seis alunos. No ano de 1972, prestou concurso para o XIV Curso de Especialização em Oftalmologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, obtendo a terceira colocação entre mais de quarenta candidatos inscritos. Concluiu o Curso de Especialização em 1 de março de 1974, credenciando-se ao título de Especialista perante as Comissões Examinadoras do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Em 23 de julho de 1977, defendeu Tese para o grau de Doutor em Medicina e obteve, por unanimidade, a nota 10 (dez), tendo sido recomendada a publicação de seu trabalho na íntegra, pela Comissão Examinadora. Seguiu para Londres, em agosto de 1977, como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, para Curso de Pós-Doutoramento. No Departamento de Oftalmologia Experimental do Institute of Ophthalmology , trabalhou com o Professor E.S. Perkins por seis meses, investigando a relação entre refração, diâmetros oculares e glaucomas. No Moorfields Eye Hospital , trabalhou na Unidade de Glaucoma por 18 meses, e freqüentou diversos outros Departamentos. Em setembro de 1979, realizou estágio em Moscou, por duas semanas, no Laboratório de Problemas Experimentais e Clínicos da Cirurgia Ocular, sob a orientação do Professor S. Fyodorov, estudando aspectos técnico-cirúrgicos das lentes intra-oculares e da ceratotomia refrativa no tratamento da miopia. De março de 1979 até janeiro de 1992 foi o chefe do Departamento de Glaucoma do Instituto Hilton Rocha , em Belo Horizonte, Minas Gerais. Desde março em 1983 é o Professor Adjunto, por concurso, da Clínica Oftalmológica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais , onde foi Chefe do Setor de Doenças Vasculares (Depto. de Retina) até 1990. Desde 1989 é Coordenador do Curso de Oftalmologia (Graduação). Foi fundador da Sociedade Brasileira de Glaucoma, juntamente com o Dr. José Carlos Reys em 1983, tendo sido seu Presidente no biênio 1983-85 e organizador do I Simpósio Internacional da SBG. Foi relator do Tema Oficial do XXV Congresso Brasileiro de Oftalmologia e XVII Congresso Pan-Americano de Oftalmologia , realizados de 03 a 06 de setembro de 1989, tendo sido responsável pela publicação do livro Glaucomas Secundários . Desde janeiro de 1992 trabalha no Instituto de Olhos de Belo Horizonte (uma instituição que idealizou e construiu juntamente com outros sócios, Drs. Cleber Godinho e Elisabeto Ribeiro Gonçalves) onde é o Diretor Geral. Desde esta mesma época é o Chefe dos Departamentos de Glaucoma e de Catarata. Foi Presidente da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Intra-oculares, eleito para o biênio 2004-2006 Foi Vice-Presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia em dois biênios: 1991-1993 e 2007-2009.

Fonte: Escavador

Newton Kara José

Helio Begliomini 1

Newton Kara José nasceu em 9 de julho de 1938, na cidade Neves Paulista (SP).
É filho de José Kara José e de Julieta Cury Kara.
Graduou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil em 1963, e
especializou-se em oftalmologia.
Fez pós-graduação na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
(FMUSP) e aí se dedicou à carreira universitária. Obteve o título de doutor em
oftalmologia com a tese Penetração de Alguns Antibióticos em Estruturas do
Aparelho Visual Humano (1972), tendo como orientador o professor Paulo Braga de
Magalhães; e o de livre-docente com a tese Indução da Secreção Lacrimal pelo
Isoproterenol (1977). Galgou todos os postos: assistente (1965-1976); professor
assistente (1976-1983); professor adjunto (1983-1998); professor regente (1997), e,
após prestação de concurso, professor titular da disciplina de oftalmologia (novembro
de 1998 a julho de 2008), recebendo, após sua aposentadoria, o título de Professor
Emérito.
Newton Kara José teve como áreas de atuação a cirurgia oftalmológica, doenças
oculares externas, córnea, lentes de contato, catarata, oftalmologia sanitária e prevenção
da cegueira.
No Departamento de Oftalmologia e Otorrinolaringologia do Hospital das
Clínicas (HC) da FMUSP foi membro da Comissão de Transplante de Órgãos e Tecidos
(1965 e 1982-1993); diretor do Serviço de Moléstias Externas (1991-1994); chefe do
Laboratório de Investigação Médica em Oftalmologia LIM-33 do HC – FMUSP (1998-
2009) e membro do Programa de Pós-Graduação em Oftalmologia. Ademais, coordenou
campanhas para a erradicação da catarata na população pobre e de baixo acesso a
serviços médicos – campanhas de atendimento a idosos (Campanha Catarata) e a
escolares (Campanha Olho no Olho).

1 Titular e emérito da cadeira no 21 da Academia de Medicina de São Paulo, cujo patrono é
Benedicto Augusto de Freitas Montenegro.

Dentre os prêmios recebidos salientam-se: prêmio Prevenção da Cegueira e
homenagem pela participação na Campanha Nacional de Reabilitação Visual do Idoso
(FMUSP, 1994); prêmio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO, 1994; e de
melhor trabalho em 2007 e em 2010); troféu Moringa (FMUSP, 1994); prêmio Pesquisa
Básica (FMUSP, 1995); grande prêmio Baush & Lomb (FMUSP, 1996); prêmio
Oswaldo Cruz 2 no XV (1996) e no XVI (1997, 4o colocado) Congresso Médico Universitário da FMUSP; e prêmio Região Sul (1997).
Dentre as homenagens recebidas citam-se: homenagem da Sociedade Brasileira
de Lentes de Contato e Córnea (1995); convidado de honra do I Congresso
Oftalmológico do Mercosul (1996); cidadão campineiro (1996); homenagem do
International Council for Education of People with Visual Impairment (Icevi, 1997);
reconhecimento da Associación Panamericana de Oftalmología (1997); homenagem
dos residentes do 2o ano da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (1997); distinção
pelo árduo trabalho em favor da prevenção da cegueira (1997); alta estima e
consideração da Câmara Municipal de Campinas (1998); homenagem da disciplina de
oftalmologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp, 1998); e homenagem
em Amsterdam (1998).
Newton Kara José publicou 181 trabalhos científicos em revistas
do Brasil e do exterior; 76 capítulos em livros; e 198 resumos em anais de congressos.
Apresentou 12 trabalhos em congressos e organizou oito campanhas.
Participou de 223 congressos, simpósios e jornadas e esteve na organização de
outros 58. Por 414 vezes ministrou aulas e atuou como coordenador ou moderador de
mesas-redondas.
Participou de diversas bancas examinadoras, sendo 19 de doutorado; quatro de
livre-docência; uma de professor titular; e quatro de concursos públicos. Orientou 21
teses de doutorado.

São de sua lavra as seguintes obras: Lentes de Contato na Clínica
Oftalmológica (em coautoria com Cleusa Coral Ghanem, 1995); Córnea – Clínica
Cirúrgica (em coautoria com Rubens Belfort Jr. 3, 1996); Olho e a Visão (em coautoria
com Milton Ruiz Alves, 1996); Prevenção da Cegueira por Catarata (em coautoria
com Carlos Eduardo Leite Arieta e Milton Ruiz Alves, 1996): Mitos e Verdades –
Olhos (em coautoria com Regina Carvalho de Salles Oliveira, 1997); Conjuntiva
Cirúrgica (em coautoria com Milton Ruiz Alves, 1999); Manual de Orientação –
Campanha Nacional de Reabilitação Visual (em coautoria com Milton Ruiz Alves,
1999); Entendendo a Baixa Visão – Orientação aos Professores (em coautoria com
Marcos Wilson Sampaio e Milton Ruiz Alves, 2000); Senilidade Ocular (em coautoria
com Geraldo Vicente de Almeida, 2001); Baixa Visão na Infância – Manual Básico
para Oftalmologistas (em coautoria com Maria Aparecida Onuki Haddad e Marcos
Wilson Sampaio, 2001); Manual da Boa Visão Escolar – Solucionando Dúvidas
sobre o Olho e a Visão (em coautoria com Regina Carvalho de Salles Oliveira e Carlos
Eduardo Leite Arieta, 2001); Auxílio para Baixa Visão (em coautoria Maria Aparecida

2 Oswaldo Gonçalves Cruz é o patrono da cadeira no 99 da Academia de Medicina de São Paulo.
3 Rubens Belfort Mattos Júnior e membro honorário da Academia de Medicina de São Paulo.

Onuki Haddad e Marcos Wilson Sampaio, 2001); Lentes de Contato – Manual do
CBO (em coautoria com Cleusa Coral Ghanem, 2003); Contact Lenses in Ophthalmic
Practice (em coautoria com Mark J. Manis, Karla Zadnik e Cleusa Coral Ghanem,
2003); Lentes de Contato na Clínica Oftalmológica (em coautoria com Cleusa Coral
Ghanem, 2005); Manual da Boa Visão do Escolar – Projeto Menina dos Olhos –
Olho no Olho de Guarulhos (em coautoria com Regina de Souza Carvalho e Carlos
Eduardo Leite Arieta, 2006); e Olho no Olho – Campanha Nacional de Prevenção à
Cegueira e Reabilitação Visual do Escolar (em coautoria com Elisaberto Ribeiro
Gonçalves e Regina de Souza Carvalho, 2006).
Newton Kara José ingressou na Academia de Medicina de São Paulo em 23 de
março de 1983, galgando a condição de membro honorário desse sodalício.

Fonte: site da Academia Paulista de Medicina
www.academiamedicinasaopaulo.org.br