Necrópsia e Educação Médica

    Por Luiz Otávio Savassi Rocha, membro honorário da Academia Mineira de Medicina (a propósito da palestra proferida em 10/3/20).

    Desde os anos 1970, assiste-se, em todo o mundo, a uma progressiva queda no número de necrópsias em casos de morte decorrente de causas naturais. Atribui-se esse fato, entre outras razões, ao excesso de confiança por parte de muitos dos médicos contemporâneos que, por disporem de refinados métodos de diagnóstico, julgam-se imunes ao erro. No entanto, contrariando as expectativas, a incidência de erros detectados pelas necrópsias permanece elevada, particularmente em se tratando de pacientes idosos e/ou daqueles atendidos em estado crítico.

    Como consequência da queda do número de necrópsias, os tradicionais exercícios de correlação anatomoclínica, desenvolvidos a partir do exame do cadáver, estão ameaçados de extinção, com indiscutível prejuízo para a formação das novas gerações de médicos. Na condição de coordenador, desde 1995, das Sessões Anatomoclínicas do Hospital das Clínicas da UFMG (268 Sessões coordenadas, presencialmente, até novembro de 2019) e Membro da Comissão de Publicação do periódico on line Autopsy and Case Reports (publicado trimestralmente pelo Hospital Universitário da USP), o palestrante advoga a reincorporação dessa atividade ao currículo das escolas médicas, sob pena de se perder um até hoje insuperável recurso pedagógico.

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