Anatoxinas – Ibrahim Felippe Heneine (1995)

    Doutor Ibrahim Felippe Heneine

    Resumo de Trabalho Científico apresentado pelo candidato a Cadeira nº. 67 da Academia Mineira de Medicina, em 25-04-1995.

    ANATOXINAS

    Foi apresentado um método geral de preparo de imunobiológicos que ficam desprovidos de atividade:
    a) enzimática,
    b) tóxica
    c) lesional
    d) letal.
    A capacidade de se ligar a receptores celulares é conservada nesses derivativos. Uma característica valiosa é que os derivativos conservam propriedades imunogênicas, o que torna esses imunobiológicos muito convenientes para a imunização, tanto ativa, como passiva. A afinidade molecular entre esses derivativos atóxicos, e os componentes tóxicos, se dá tanto in vitro, como in vivo. Nesta última situação apresentam propriedades curativas, preservando a vida de vitimas que receberam picadas de animais peçonhentos.
    O método consiste em haptenizar as moléculas tóxicas com iodo frio catiônico, que se liga a moléculas de tirosina e histidina. O iodo [127I] é acrescentado gradualmente, até que o efeito desejado seja obtido. O excesso de iodo é completamente eliminado. Tem-se um derivado de composição química bem definida. O mesmo não acontece com a formolização ou glutaraldeização, que originam novos epitopos que não existem na molécula nativa, prejudicando a imunogênese. A incorporação do iodo pode ser acompanhada espectrofotometricamente, ou pelo uso de radioisótopos, 131I ou 125I, ou pela titulação externa com amido.
    Já foram preparados derivativos de venenos totais escorpiônicos, de frações isoladas e purificadas desses venenos; de veneno total e frações de espécies crotálicas; de venenos e frações botrópicas, de corais, de toxinas bacterianas e vibriônicas, como a tetânica, diftérica, e colérica. A ricina da mamona e várias lectinas. A insulina e a kalicreina são desativadas, conservando a imunogenicidade. Alergenos de cercárias e verme adulto do schistosoma, deixam de causar reações alérgicas, conservando imunogenicidade. Células cancerosas do Tumor de Ehrlich são mortas pela haptenização, e impedem o desenvolvimento de ascite por células vivas.
    A completa inocuidade desses imunógenos permite o uso de uma técnica especial de imunização, que consiste na inoculação primária com pequena dose de antígeno, seguida de estimulação exponencial com doses até 10 vezes maior. A produção de anticorpos, que segue a lei de Weber-Flexner, é muito maior que a de métodos de estimulação convencionais.
    A introdução maciça de haptenos pode transformar moléculas “self” em “nonself”, com as vantagens do uso.
    As nossas principais publicações somam 18 trabalhos completos publicados em revistas referendadas, 16 estrangeiras e 2 nacionais, além de resumos, conferencias, mesas redondas, Workshops e palestras especilaizadas.
    Apoio Recebido. FAPEMIG, CNPq, FINEP, PRPq,-UFMG, Academia de Ciências do Estado de São Paulo, Deutsche Akademische Gesllschaft, FUNED, Instituto Butantan, Instituto Oswaldo Cruz, GIDE, BIOBRÁS, U.F.R.G.S. e LABORATÓRIO VALLE-NORDESTE.
    NOTA. Posteriormente o método foi reconhecido internacionalmente, e gerou a primeira Patente no Brasil e paises signatários, de produção de imunobiológicos. A Patente já foi publicada, não foi contestada, e está sendo utilizada por Instituto multinacional.