Início Cadeira 96 Marco Aurélio Baggio

Marco Aurélio Baggio

Ocupou a , no período de 11/09/1995 até 26/05/2014.

Marco Aurélio Baggio nasceu em 8 de março de 1943, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Filho de Aldo Baggio e Hercília Alves Pinto Baggio. Estudou no Grupo Escolar Lúcio dos Santos, de 1950 a 1951, e no Grupo Escolar Barão de Macaúbas, de 1952 a 1953. Cursou o ginásio e o científico no Colégio Arnaldo, de 1954 a 1960. Graduou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da UFMG em 1965.
Em 1964 entrou para o Hospital Galba Velloso (HGV) como Interno Acadêmico, quando o hospital era dirigido por Jorge Paprocki. Em 1966 tornou-se psiquiatra contratado por este hospital. Foi Preceptor da primeira Residência de Psiquiatria do Estado de Minas Gerais, em convênio formado entre a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais e a FCMMG. Entre 1968 e 1970 tornou-se Diretor Administrativo do HGV.
No período entre 1967 e 1973, foi contratado pela Fundação Espírita André Luiz, ao lado de Arlindo Carlos Pimenta, César Rodrigues Campos e Francisco Paes Barreto, e participou da criação do Hospital Espírita André Luiz (HEAL), tendo ocupado o posto de Diretor Clínico em sua primeira Diretoria. Fundou, ao lado destes colegas, a Residência de Psiquiatria do HEAL tendo sido Preceptor de Técnicas Psicoterapêuticas. Entre 1968 a 2006, foi membro do Círculo Psicanalítico de Minas Gerais, por 37 anos, onde apresentou dezenas de trabalhos e publicou inúmeros artigos na revista Reverso, desta instituição.
Marco Aurélio Baggio destacou-se como psiquiatra e psicanalista em Minas Gerais desde os tempos em que fazia parte da “turma do Galba”, sob a coordenação de Jorge Paprocki.522 Entre suas principais atuações estão a elaboração de conceitos e práticas psicoterápicas modernas, em função de seus amplos estudos de diversos autores e escolas psicoterápicas, aliados à sua experiência clínica, o que o levou a uma postura pessoal de vanguarda como psicoterapeuta. A partir de certo período deixou as concepções psicanalíticas clássicas “biológicas” de Freud e adotou uma postura mais
eclética na psicoterapia. Após contato com diversas outras escolas do pensamento psicanalítico, rompeu com o paradigma edipiano de Freud e percorreu escolas intermediárias como a da britânica Melanie Klein, e
também as não-edipianas dos britânicos Michael Balint, John Bowlby, Donald Winnicott e Wilfred Bion. Percorreu também trajetos por escolas que se afastaram ainda mais da psicanálise como a do psiquiatra vienense Viktor Frankl, com sua logoterapia, também chamada de “Terceira Escola Vienense de Psiquiatria”.
Sobre Lacan, Baggio tinha uma visão muito peculiar:
Lacan era um sujeito muito inteligente, muito esperto e ele sabia que quando você quer fazer valer seu pensamento, você usa o epígono anterior. Eu sou Freudiano, vocês podem ser Lacanianos, ele disse. Lacan era um trapaceiro. Com todo o respeito, um grande trapaceiro. Um sujeito muito inteligente, muito brilhante, fcou muito rico e deu uma contribuição que a mim não interessa absolutamente. O que ele fez foi criar uma outra psicanálise, gongórica, barroca, cheia de
retornilhos, de tautologias, de trocadilhos, dentro de uma cultura que tem muito pouco a ver com a nossa. Lacan tem um estilo pretensamente brilhante. Sou fã de Elis Regina, ela fez um show chamado “Falso Brilhante”. Para mim Lacan é um falso brilhante. Li e não gostei. Não é
citado por nenhum intelectual substantivo do Ocidente.
Inteligência brilhante, intelectual inquieto, Marco Aurélio Baggio desenvolveu um método psicoterápico pessoal, adaptando conceitos e práticas que atendiam melhor à sua clientela, com seus conflitos peculiares e situações pessoais que não poderiam ser enquadradas nas escolas convencionais da psiquiatria, psicanálise ou psicologia.
Baggio aproximou-se muito das artes, particularmente da literatura. Tornou-se um profundo conhecedor da obra de João Guimarães Rosa, que reputava ser um dos mais importantes pensadores e literatos da história da
Humanidade vindo após William Shakespeare. Escreveu dezenas de artigos sobre o grande escritor mineiro e dedicou um livro ao autor de Grande Sertão, Veredas. Mergulhou na obra da escritora, ensaísta e pensadora norte-americana Camille Paglia, a quem considerava uma das mais importantes autoras contemporâneas. A mesma atenção dedicou a Humberto Eco, o grande flósofo, escritor e semiólogo italiano, notadamente seu O Pêndulo de Foucault.
Em função dos seus diversos interesses intelectuais, Marco Aurélio Baggio foi um colecionador de títulos e honrarias, 35 no todo, entre elas: Medalha Santos Dumont de Mérito Cívico, grau prata e ouro, Grande Medalha da Inconfdência, em 2005, Medalha Juscelino Kubistchek, Medalha Centenário Guimarães Rosa. Foi membro de inúmeras academias e instituições, destacando-se: Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais,
Arcádia de Minas Gerais, Academia Brasileira de Médicos Escritores e Academia de Letras do Brasil.
Escreveu 19 livros aqui relacionados: Erotika: Conjecturas Psicanalíticas (1992); Música Popular Brasileira: Os Conscertos da Vida (1996); Conversando (1998); Serhumanologia (1999); Minas-Brasil: Para uma Nova Arquitetura Convivencial em um Mundo Globalizado (2000); Causação em Psiquiatria: o Endógeno (2000); Psicoterapia: Técnica, Arte e Clínica (2000);
Poesia Esgarçada (2001); Jesus de Nazaré: Esplendor no Ocidente (2002); Textos Escalares (2003); Máximas de Conduta (2003); Juscelino Kubistchek de Oliveira: Sua Excelência (2005); Um Abreviado de Grande Sertão: Veredas (2005); Textos Insinceros (2006); Um Abreviado de Quase Tudo (2007); 69 Etapas Evolutivas (2007); Ajuda-te Pelo Conhecimento (2008) e Ensaios Humorísticos (2009).
Em 1995, foi eleito para a Cadeira de número 96 da Academia Mineira de Medicina, cujo Patrono é Zacharias Álvares da Silva e o primeiro ocupante da cadeira foi José Bartolomeu Greco. Seu padrinho foi Carlos Alberto de Paula e Salles. Sua tese de ingresso, posteriormente transformada em livro, foi: O Psiquismo Humano. Baggio faleceu aos 71 anos, em 26 de maio de 2014.

Fontes:
BAGGIO, Marco Aurélio. Uma história da psiquiatria mineira: a turma do Galba. Belo Horizonte: JMP. Ano VI; Ed. 16, 2002. Disponível em .

BAGGIO, Marco Aurélio. Entrevista dada ao Jornal Mineiro de Psiquiatria. Belo Horizonte: JMP. Ano VIII, Ed. 20, 2002. Disponível em .

BEGLIOMINI, Hélio. Imortais da Abrames. Marco Aurélio Baggio. São Paulo: Expressão e
Arte Editora, 2010, p. 349-351.312.

CORRÊA, A.C.O. Breve história da psiquiatria mineira. Belo Horizonte: Editora 3i, 2018, pp. 311-4.

Discurso de posse

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Ocupantes da Cadeira 96

Antônio Zacharias Álvares da Silva

06/09/1847 30/10/1905

José Bartolomeu Greco

Posse: 10/05/1971 - 02/04/1994

Marco Aurélio Baggio

Posse: 11/09/1995 - 26/05/2014

Humberto Corrêa da Silva Filho

Posse: 06/12/2007 - atualmente
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