MEDICINA MUÇULMANA (parte 2)

    Por Guilherme Santiago Mendes

    Mais do que o “Príncipe dos Médicos”, Avicena foi um dos grandes filósofos da história islâmica. Nascido na Pérsia em 980 dC, dizia que “a filosofia ensina sobre a mente e a alma, e um médico precisa disso como precisa de ar e alimento”. Seus alunos “não deveriam temer que o estudo se tornasse parte deles e deveriam estudar com o fervor dos abençoados”.

    Escreveu mais de cem tratados, dentre eles “O Cânone da Medicina”, que compilava e sistematizava todas as doenças conhecidas, a forma de diagnosticá-las e tratá-las. No tempo em que o ritmo do conhecimento médico avançava devagar, a obra manteve-se por séculos como um “Up to Date” medieval. Traduzida para o latim, a obra de Avicena revigorou os conceitos de Hipócrates e Galeno, tornando-se referência também para o ensino das primeiras escolas médicas ocidentais”, em Salerno, na Itália, e Montpellier, na França.

    Na filosofia tornou-se um dos maiores da cultura muçulmana, agregando ao conhecimento grego um fundamento racional para sustentar a fé monoteísta. Assim, junto com Aristóteles, Avicena influenciou grandes teólogos cristãos, como o escolástico Tomás de Aquino, que o citou mais de uma centena de vezes em sua obra.

    No entanto, um aspecto extremamente limitante ao progresso da medicina islâmica, tal como da medicina cristã, era a proibição de dissecar cadáveres. Profanar o corpo humano para estudo era passível de pena de morte, embora decapitações, eviscerações, esquartejamentos e amputações fossem atos corriqueiros nos tribunais religiosos. Entender profundamente a medicina e superar antigos dogmas só seria possível com o conhecimento profundo da anatomia e esse momento haveria de chegar.

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