HOSPITAL, ENFIM, LUGAR DE MÉDICO

    A primeira faculdade de medicina do mundo ocidental, ainda ativa, foi fundada no século XII, em Montpellier, França. Nesse momento da história a formação médica era essencialmente teórica, erudita, e o conhecimento de latim e grego era mais valorizado que o de anatomia e fisiologia, ainda tão precários. O aprendizado prático de tratar doentes era quase nulo. Prevaleciam os dogmas hipocrático-galênicos do “equilíbrio dos humores” e a sangria era o tratamento universal, ao lado de purgativos e emplastos.
    Em 1789, nos seus primórdios, a Revolução Francesa quis acreditar que daria fim à miséria, consequentemente às doenças e aos hospitais. Movidos pelo ódio anticlerical e pelo pretexto da igualdade e da liberdade de todas as profissões, os revolucionários expulsaram religiosas dos hospitais e determinaram que charlatães de toda espécie pudessem atuar como médicos.
    Naturalmente, a realidade engoliu essa ideologia radical e em 1795 o ensino médico voltou a ser oferecido nas faculdades, com um novo propósito: “ler menos, ver e fazer mais”. Restava o desafio de trazer os médicos formados aos hospitais.
    Coube a Napoleão Bonaparte, o primeiro cônsul, instituir por decreto, em 1802, os internatos hospitalares, através de seleção por concursos públicos. Realizados pelas próprias unidades hospitalares, essas seleções conseguiram atrair a elite dos futuros clínicos e transformaram a realidade: depois de mais de doze séculos, o protagonismo hospitalar passava dos religiosos aos médicos.
    Fonte: Jean-Noël Fabiani, “La fabuleuse histoire de l’hôpital”
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